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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

GLOBALIZAÇÃO

A nova ordem internacional


“A guerra fria terminou oficialmente com o fim da União Soviética em 1991, embora seu encerramento já tivesse sido decretado com a queda do muro de Berlim em 1989. A partir de então instalou-se um novo mundo, baseado em novas relações econômicas e geopolíticas, que não mais trazia a anterior marca da divisão leste-oeste nem mais o velho confronto entre o bloco capitalista e o socialista. Um mundo que apresentava novas características, destacadamente a completa hegemonia da ordem capitalista, e compunha o que alguns preferiram chamar de nova ordem internacional.


Antes mesmo dos anos 1960, o capitalismo ingressara numa nova fase de desenvolvimento, chamada por alguns de terceira revolução industrial, baseada numa dinâmica produtiva com sofisticada tecnologia, principalmente em microeletrônica – que envolvia a computação, comunicações e robótica – biotecnologia e química fina.


Eram necessários mais investimentos em pesquisas e implementação tecnológica, cuja viabilização passou a depender, principalmente, de grandes conglomerados empresariais, possuidores de enormes volumes de capital. Em tal situação, acentuaram-se os processos de fusões, aquisições e parcerias de empresas, exigindo, em contrapartida, grande retorno do investimento feito.


Isso passou a ser, em parte, garantido por lucros obtidos nos amplos mercados desprovidos de barreiras nacionais protecionistas. Paralelamente ao processo típico de concentração de capitais, procedeu-se a irradiação mundial dos negócios, globalizando mercados. A título de exemplo, tomando a principal economia capitalista dessa globalização, em 2003 os investimentos norte-americanos no exterior somaram o valor de US$ 7,9 trilhões (71,6 % do PIB) e os investimentos estrangeiros nos Estados Unidos chegaram a US$ 10,5 trilhões (95% do PIB).


O neoliberalismo e o “Estado mínimo”


Com o dinamismo de empresas ligadas a amplos mercados, a qualidade e o preço dos produtos, em meio à intensa competitividade, passaram a ser decisivos, para a garantia de lucratividade. Lentamente, em vários países do mundo, foi surgindo à tendência da queda das reservas de mercado, que tinham sido conseguidas com barreiras protecionistas, favoráveis apenas a alguns setores da economia.


Num mundo de gigantescos conglomerados, parte das médias e pequenas empresas teve de se orientar pelas decisões estratégicas das grandes empresas transnacionais. Como exemplos, existem as terceirizações, que transferem atividades de uma empresa para outra, fixando-se na sua área de atuação principal, e as franquias, que garantem o direito de uso de uma marca de produtos ou serviços já consagrada no mercado.


A globalização, impulsionada pela queda do bloco Soviético socialista e pelo enfraquecimento mundial do socialismo, estimulou a formação de blocos econômicos, associações regionais de livre mercado que derrubaram antigas barreiras protecionistas, várias dezenas deles nascidos nos anos de 1990. A frente dessas organizações estão o NAFTA (North American Free Trade Agreement – Acordo norte-americano de livre comércio) sob a liderança dos Estados Unidos e envolvendo Canadá e México, a UNIÃO EUROPÉIA, com a economia alemã como a mais forte e dinâmica, e o BLOCO DO PACÍFICO, sob o comando do Japão. Por intermédio da OMC (Organização Mundial do Comércio), a superação econômica das barreiras nacionais ganhou mais intensidade, abrindo caminhos para integrações até entre os próprios blocos econômicos regionais.


A principal força da dinâmica capitalista cabe ao G-7, grupo dos sete países mais ricos (Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Japão), onde estavam fincadas as raízes e as bases de apoio da maior parte dos grandes conglomerados empresariais do mundo. Na prática, porém, o G7 poderia muito bem ser resumido a G3 (Estados Unidos, Alemanha e Japão).


Paralelamente as associações econômicas regionais, com diminuição ou eliminação dos protecionismos e atração de investimentos internacionais, estabeleceu-se a limitação dos gastos governamentais, com a prevalência da economia de mercado e a busca de um “Estado mínimo”.


A crescente força privada e a crise do Estado intervencionista deram impulso, por sua vez, as pregações neoliberais, cujos principais defensores são o austríaco Friedrich Hayek, ganhador do premio Nobel de economia de 1974, com suas idéias Anti-Keynesianas, seguidas pelos norte-americanos Milton Friedman, premio Nobel de economia em 1976, e Robert Lucas, Prêmio Nobel de economia em 1995, entre outros. Segundo consagrado historiador, “Essa ideologia baseia-se no pressuposto de que a liberalização do mercado otimiza o crescimento e a riqueza no mundo, e leva à melhor distribuição desse incremento. Toda tentativa de controlar e regulamentar o mercado deve, portanto, apresentar resultados negativos, pois restringe a cumulação de lucros sobre o capital e, portanto, impede a maximização da taxa de crescimento. Em minha opinião, ninguém nunca conseguiu justificar de maneira satisfatória essa concepção. Talvez fosse possível dizer que um mercado capitalista livre produz uma taxa de crescimento maior do que a de qualquer outro sistema, mas assim permaneceria a dúvida quanto a este ser o melhor mecanismo para distribuir a riqueza. Para os profetas de um mercado livre o global, tudo que importa é a soma da riqueza produzida e o crescimento econômico, sem qualquer referencia ao modo como tal riqueza é distribuída”. (HOBSBAWM, Eric. O Novo Século: entrevista a Antônio Polito. São Paulo: CIA das Letras, 2000. P. 78).


Na política, as condições favoráveis ao neoliberalismo só se efetivaram com os governos conservadores de Margareth Thatcher, a partir de 1979, no Reino Unido; Ronald Reagan, a partir de 1980, nos Estados Unidos; e Helmult Kohl, a partir de 1982, na Alemanha; irradiando-se, em seguida, pelo mundo.


Todos os países que seguiram as orientações neoliberais implementaram políticas de venda de empresas estatais a empresários ou grupos privados. Essas privatizações ampliaram o espaço econômico dos grandes conglomerados e a subordinação dos estados ao mercado internacional.


O novo modelo de pensamento social e político, o neoliberalismo, era impulsionado principalmente a partir do principal eixo da ordem capitalista, os Estados Unidos, com medidas que visavam influir na atuação de governos, organismos internacionais e grupos econômicos, naquilo que se convencionou chamar de consenso de Washington. Essa denominação tinha sido criada em 1989 por um ex-funcionário do Banco Mundial e do FMI, John Williamson, durante a preparação de uma conferencia pelo Institute For Internacional Economics (IEE), de Washington. A conferencia, como exigia o congresso norte-americano, buscava negociar o refinanciamento da divida externa de vários países em troca de reformas especialmente centradas na abertura das economias nacionais ao capital estrangeiro e no termino das regras que impediam a livre circulação de mercadorias e investimentos, entre outros aspectos.


Por todo o mundo, a adoção do consenso de Washington envolveu ainda a redução dos gastos públicos com saúde, educação, previdência social e outras políticas sociais, significando para os países desenvolvidos, a desmontagem do Estado de bem estar social e, para os países dependentes, chamados de em desenvolvimento ou emergentes, o agravamento do quadro social. Esse fato acentuaria as rupturas sociais que geram extremos de pobreza, para a maioria das populações, e riqueza para um reduzido numero de pessoas.


Da mesma forma, foi ampliado o descompasso entre países e regiões no tocante à produção e ao usufruto de novas tecnologias. Em 2000, tomando um exemplo extremo, somente na cidade de Tóquio, no Japão, havia mais telefones do que em todo continente africano.


A terceira revolução industrial trouxe ainda a questão do desemprego, como decorrência do uso de altas tecnologias produtivas (robótica, informatização) ou como resultado da reformulação e otimização produtiva, incluindo-se o remanejamento e a demissão de funcionários e o enxugamento nas empresas e instituições estatais.


Diferentemente da primeira revolução industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, e da segunda revolução industrial, do século XIX, a época do capitalismo global encontrou parte dos movimentos trabalhistas em refluxo e fragilizados , assim como, agora, os sindicatos enfraquecidos. Além disso, a globalização abriu a possibilidade de busca da mão de obra barata em qualquer parte do mundo, por causa das reestruturações e da enorme oferta de trabalhadores.


Assim, graças à alta tecnologia, boa parte do trabalho em massa nas grandes indústrias passou a ser feito de forma intensiva e com menos mão de obra, levando ao declínio a filiação de trabalhadores às organizações sindicais. De certa forma, a própria força ideológica da sobrevalorização do mercado em lugar das políticas sociais também teve sua contribuição na fragilidade trabalhista.


Os neoliberais defendem que essa atual condição do trabalho e do trabalhador será irreversível enquanto a prioridade for à modernização e a ampliação da economia de mercado. Já os antineoliberais reclamam por medidas dirigidas para o alivio das dificuldades sociais, que, a seu ver, só poderão ser garantidas pela ação governamental, dos sindicatos e da população. Defendem ainda que somente com o aprimoramento contínuo da democracia os cidadãos garantirão ampla participação nas decisões que lhes dizem respeito e maior eficiência do Estado no âmbito da promoção da justiça social e da garantia das liberdades individuais. [...]


[...] Norte e Sul: Desigualdades e exclusão social


Em meio à globalização econômica e a política neoliberal, a nova ordem internacional passou a ter como grandes marcas a dinamização produtiva e uma desigualdade socioeconômica cada vez mais profunda. De um lado, liderando o capitalismo, estavam predominantemente os países dos três principais blocos econômicos (Nafta, União Européia e Bloco do Pacífico), realizando mais de 60% de todas as trocas comerciais do planeta. De outro, o mundo pobre, composto por países que, em geral, estão situados no hemisfério sul, com índices socioeconômicos cada vez mais distantes daqueles dos países tidos como primeiro mundo.


[...] Um indicador da gravidade do avanço das desigualdades socioeconômicas entre regiões e grupos sociais é que a população mundial, de cerca de 6 bilhões de pessoas no final dos anos de 1990, acrescentava-se, todos os anos, o total aproximado de 80 milhões de nascimentos, na sua esmagadora maioria nas regiões mais pobres do planeta. Nesse inicio do século XXI, a situação era muito grave em certas regiões africanas e asiáticas, onde havia dezenas de milhões de indivíduos sem acesso a alimento, água potável, habitação e saneamento básico.


Ao mesmo tempo, tal quadro já estava reproduzido em várias cidades latino-americanas, e até mesmo nos países desenvolvidos os índices de marginalidade, criminalidade, desemprego etc. agravavam-se ano após ano, especialmente com o fim de muitas garantias sociais, eliminadas pela política neoliberal.


Os imensos bolsões de pobreza e marginalidade dos países desenvolvidos agrupam, nos Estados Unidos, principalmente negros e imigrantes latino-americanos e, na União Européia, imigrantes das ex-colônias africanas e asiáticas das antigas potências (Reino Unido, França, Alemanha).


[...] A continuação do agravamento da desigualdade exclusão social, certamente substituirá a tradicional distinção entre países de primeiro e terceiro mundo, pela existência, em cada país, de bolsões de riqueza absoluta e de miséria absoluta, ou seja, um primeiro e um terceiro mundo, dentro de cada país.


[...] Uma conclusão plausível para o quadro histórico do final do século XX e para o inicio do século XXI é que tanto o socialismo quanto o capitalismo foram incapazes de consolidar diretrizes para a solução dos graves problemas socioeconômicos e políticos que afligem a humanidade. O socialismo não conseguiu acompanhar a dinâmica econômica capitalista dos países desenvolvidos nem superar os seus crescentes entraves burocráticos, além de não oferecer liberdades democráticas exigidas pela população. De outro lado, o capitalismo, avançando na globalização, também não conseguiu dar respostas adequadas à distribuição das riquezas produzidas e a questões como meio ambiente e a miséria de boa parte da população mundial.


A nova ordem internacional manteve o quadro de misérias, guerras e sofrimentos em quase todos os pontos da terra e, o que é pior, em crescente agravamento, sob a feição de um capitalismo vitorioso e globalizado.


A essa nova ordem, juntou-se uma crescente cultura do medo globalizada, fundada em diversas ameaças, como a ascendente criminalidade no interior dos países, as ações terroristas, com Estados pleiteando a ampliação de seus poderes coercitivos, o que, em contrapartida, resulta na limitação de direitos individuais-sociais, como a restrição do habeas corpus, o encarceramento dos acusados de crimes sem julgamento por um tempo mais amplo, atuações policiais no trânsito internacional e mesmo no interior de áreas urbanas etc. essa cultura do medo também se expressa nas questões vinculadas à saúde, como a gripe aviária, AIDS, alimentos, entre outras, e ao futuro do meio ambiente.”. (VICENTINO, Cláudio. História Para o ensino médio: História Geral e do Brasil / Cláudio Vicentino e Giampaolo Dorigo. São Paulo: SCIPIONE, 2005, p. 557-563).


Texto complementar – Uma história da globalização


“Existe, como em quase tudo que se diz respeito da história, uma grande controvérsia em estabelecer-se uma periodização para estes cinco séculos de integração econômica e cultural, que podemos chamar de globalização, iniciados pela descoberta de uma nova rota marítima para as Índias e pelas terras do Novo Mundo.


De certo modo até as duas grandes guerras mundiais de 1914-18 e a de 1939-45, e antes delas a Guerra dos Sete Anos (de 1756-1763), provocaram a intensificação da globalização quando adotaram algumas macro-estratégias militares para perseguir os adversários, num mundo quase inteiramente transformado em campo de batalha. Assim sendo, nos definimos pelas seguintes etapas: primeira fase da globalização, ou primeira globalização, dominada pela expansão mercantilista (de 1450 a 1850) da economia-mundo européia, a segunda fase, ou segunda globalização, que vai de 1850 a 1950 caracterizadas pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista e, por última, a globalização propriamente dita, ou globalização recente, acelerada a partir do colapso da URSS e a queda do muro de Berlim, de 1989 até o presente.


A primeira globalização


A primeira globalização, resultado da procura de uma rota marítima para as Índias, assegurou o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais européias na Índia, China e Japão, e abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos, milhares de imigrantes iberos, ingleses e holandeses, e, uns números bem menores de franceses, atravessaram o Atlântico para vir ocupar a América. Aqui formaram colônias de exploração, no sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil, baseadas geralmente num só produto (açúcar, tabaco, café, minério, etc.) utilizando-se de mão de obra escrava vinda da África ou mesmo indígena. Para atender as primeiras, as colônias de exploração, é que o brutal tráfico negreiro tornou-se rotina.


Igualmente não se deve omitir que ela promoveu uma espantosa expropriação das terras indígenas e ou na destruição da sua cultura. Em quase toda a América ocorreu uma catástrofe demográfica, devido aos maus tratos que a população nativa sofreu e as doenças e epidemias que os devastaram, devido ao contato com os europeus.


Nesta primeira fase estrutura-se um sólido comércio triangular entre a Europa (fornecedora de manufaturas) África (que vende seus escravos) e América (que exporta produtos coloniais). A imensa expansão deste mercado favorece os artesãos e os industriais emergentes da Europa que passam a contar com consumidores num raio bem mais vasto do que aquele abrigado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações inter-européias. Politicamente, a primeira fase da globalização se fez quase toda ela sob a proteção das monarquias absolutistas que concentram enorme poder e mobilizam os recursos econômicos, militares e burocráticos, para manterem e expandirem seus impérios coloniais. Os principais desafios que enfrentam advinham das rivalidades entre elas, seja pelas disputas dinástico-territoriais ou pela posse de novas colônias no além mar, sem esquecer-se do enorme estragos que os corsários e piratas faziam. A doutrina econômica da 1ª fase foi o mercantilismo, adotado pela maioria das monarquias européias para estimular o desenvolvimento da economia dos reinos. Ele compreendia uma legislação que recorria a medidas protecionistas, incentivos fiscais e doação de monopólios, para promover a prosperidade geral. A produção e distribuição do comércio internacional eram feitas por mercadores privados e grandes companhias comerciais. Todo o universo econômico destinava-se a um só fim, acumular riqueza. O poder de um reino era analisado pela quantidade de metal precioso (ouro, prata e jóias) existente nos cofres reais. Para assegurar seu aumento o Estado exercia controle nas importações e no comércio com as colônias. Esta política levou cada reino europeu a terminar se transformando num império comercial, tendo colônias e feitorias espalhadas pelo mundo todo.


A segunda globalização


Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século XVIII, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, depois, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina a vapor é introduzida nos transportes terrestres e marítimos. Consequentemente esta nova época será regida pelos interesses da indústria e das finanças, e não mais das motivações dinástico-mercantis. Será a grande burguesia industrial e bancária, e não mais os administradores das corporações mercantis e os funcionários reais quem liderarão o processo.


A escravidão que havia sido o grande esteio da primeira globalização, tornou-se um impedimento ao progresso do consumo e, somada à crescente indignação que ela provoca, termina por ser abolida, primeiro em 1789 e definitivamente em 1848 (no Brasil ela ainda irá sobreviver até 1888).


No campo da política a revolução americana de 1776 e a francesa de 1789, irão liberar grande energia fazendo com que a busca da realização pessoal termine por promover uma ascensão social das massas. Depois, como resultado das Guerras Napoleônicas e da abolição da servidão e outros impedimentos feudais, milhões de europeus, abandonaram seus lares e emigraram para os EUA, Canadá, e para a América do Sul. A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências (a Grã-Bretanha possui mais de 50, ocupando áreas antieconômicas). O mercado chinês finalmente é aberto pelo Tratado de Nanquim de 1842 e o Japão também é forçado a abandonar a política de isolamento da época ao assinar um tratado com os americanos. Cada uma das potências européias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo. O resultado é um acirramento da corrida imperialista e da política belicista que levará os europeus a duas guerras mundiais. Entre outros aspectos, implementos técnicos ajudam a globalização: o trem e o barco a vapor encurtam as distâncias, o telégrafo e o telefone, aproximam os continentes e os interesses ainda mais.


Nestes cem anos da segunda fase da globalização (1850-1950) os antigos impérios dinásticos desabaram. Das diversas potências que existiam em 1914 (Império britânico, o francês, o austro-húngaro, o italiano, o russo e o turco) só restam depois da 2ª Guerra, as superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética. Derrotadas pelas guerras as metrópoles desabaram, obrigando-se a aceitar a libertação dos povos coloniais que formaram novas nações. Algumas independentes e outras neocolonizadas continuaram ligadas ao sistema internacional. Somam-se, no pós-45, os países do Terceiro Mundo recém independentes, às nações latino-americanas que conseguiram autonomia política, no fim da 1ª fase. No entanto nem a descolonização nem as revoluções comunistas, servirão de obstáculo para que o processo de globalização seja retomado.


Globalização recente


No decorrer do século XX três grandes projetos de liderança da globalização conflitaram-se entre si: o comunista; o da contra-revolução nazi-fascista e o projeto liberal-capitalista.


Num primeiro momento ocorreu a aliança entre o liberalismo e o comunismo (em 1941-45) para a auto-defesa e destruição do nazi-fascismo. Num segundo momento os EUA e a URSS se desentenderam gerando a guerra fria, onde o liberalismo norte-americano rivalizou-se com o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase levou a humanidade a uma catástrofe.


Com a política da glasnost, a guerra fria encerrou-se e os Estados Unidos proclamaram-se vencedores. O momento símbolo disto foi à derrubada do Muro de Berlim ocorrida em novembro de 1989, acompanhada da retirada das tropas soviéticas da Alemanha reunificada e seguida da dissolução da URSS em 1991. A China comunista, por sua vez, que desde os anos 70 adotara as reformas visando sua modernização, abriu-se em várias zonas especiais para a implantação de indústrias multinacionais. Desde então só restou hegemonia no moderno sistema mundial a economia-mundo capitalista, não havendo nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização.


Chegamos desta forma a situação presente onde sobreviveu uma só superpotência mundial: os Estados Unidos. É a única que tem condições operacionais de realizar intervenções militares em qualquer canto do planeta (Kuwait-91, Haiti-94, Somália-96, Bósnia-97, Afeganistão-2001, Iraque-2003 etc.). Na fase atual da globalização os Estados Unidos tornam-se a nova Roma.”. (disponível em: http://www.brasilescola.com/geografia/globalizacao.htm, acesso em Novembro de 2009).


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