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domingo, 2 de agosto de 2009

A expansão Imperialista do século XIX

Turmas:
Segundo Ano - Colégio Padrão, Mossoró.
Terceiros Anos - Colégio Padrão, Mossoró.

A Expansão Imperialista do século XIX
Definição de imperialismo
O Imperialismo do século XIX foi uma política de expansão e domínio territorial, cultural, econômico e político de nações capitalistas que vivenciavam a segunda revolução industrial. Está política deve ser entendida também como impositora de novas formas de colonização – daí a expressão neocolonialismo – que foi além do colonialismo praticado dos séculos XV a XVIII, época do Antigo regime.
“Essa expansão deu inicio a chamada fase imperialista do capitalismo, da qual participaria a maioria das nações industrializadas. Uma das formas adotadas pelo imperialismo nessa expansão foi a partilha da áfrica e da Ásia, a criação de áreas de influencia em diversas regiões do planeta e a formação de novos impérios coloniais. A essa forma especifica de dominação imperialista se deu o nome de neocolonialismo”. (PAZZINATO, Alceu L. & SENISE, Maria Helena V. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Ática, 2002, p. 226).

Imperialismo: a supremacia inglesa na Era Vitoriana
A indiscutível supremacia da Inglaterra – na Europa do século XIX atingiu seu apogeu entre 1850 e 1875. O país, que havia iniciado sua Revolução Industrial mais de cem anos antes, colocou-se quase um século na frente dos demais Estados europeus. Somente na segunda metade do século XIX foi que França, Itália e Alemanha começaram a avançar, mas não o suficiente para abalar a hegemonia inglesa.
A Inglaterra enviava homens, capitais, car­vão, tecidos e máquinas para o mundo inteiro. A supremacia naval completava a supremacia econômica. As camadas médias prosperavam, e seu papel político ganhava importância. Londres era a maior cidade do mundo, e o Parlamentarismo, um regime político estável, maleável para que as reformas se antecipassem às necessidades sociais. Assim, a Inglaterra evitou as agitações que assolaram a Europa dos fins do século XVIII ao século XIX.
A união de desenvolvimento econômico com progresso social e estabilidade política criou condições para a formação de um vasto império colonial na América, África e Ásia.
A dinastia Hannover, surgida no início do século XVIII, teve na rainha Vitória (1837-1901) o grande símbolo da virtude e da perseverança inglesas. Ela governou o país durante o período de supremacia britânica, por isso mesmo chamado de Era Vitoriana.

Os Motivos da expansão imperialista
As mudanças tecnológicas que caracterizaram a Segunda Revolução Industrial (motores a gasolina, diesel e eletricidade, produção de aço em larga escala) aumentaram ainda mais a produção, gerando uma grande necessidade de mercados consumidores para os excedentes industriais. Além disso, as potencias centrais do capitalismo, precisavam encontrar fontes de matérias-primas (carvão, ferro, petróleo) e de produtos alimentícios que faltavam em suas terras. Também buscavam novas regiões para investir os capitais disponíveis, construindo ferrovias ou explorando minas, por exemplo.
Tal mecanismo era indispensável para aliviar a Europa dos capitais excedentes. Se eles fossem investidos na Europa, agravariam a superprodução e intensificariam a tendência dos países europeus industrializados de adotar medidas protecionistas, fechando seus mercados e tornando a situação ainda mais difícil. Some-se a tudo isso o crescimento acelerado da população européia, necessitada de novas terras para estabelecer-se. No plano político cada Estado europeu estava preocupado em aumentar seus contingentes militares, para fortalecer sua posição entre as demais potências. Possuindo colônias, disporiam de mais recursos e mais homens para seus exércitos. Tal era a política de revanche, característica da França, que buscava compensar as perdas na Europa, especialmente a Alsácia-Lorena, para os alemães. Ter colônias significava ter portos de escala e abastecimento de carvão para os navios mercantes e militares distribuídos pelo planeta.
Já a ação dos missionários religiosos, típica da segunda metade do século XIX, se encaixava em um discurso religioso e cultural que justificava o imperialismo. Eles desejavam converter africanos e asiáticos. Havia gente que considerava mesmo um dever dos europeus espalhar sua civilização entre povos que julgavam primitivos, atrasados e inferiores. Na realidade, além do olhar etnocêntrico e preconceituoso, esse discurso era o pretexto para justificar a colonização e espoliação das áreas dominadas. Foi nesse contexto que assumiu importância um movimento intelectual e pseudo-científico. O desenvolvimento de ideologias racistas que, partindo das teorias de Darwin, afirmavam a superioridade da raça branca: o etnocentrismo, baseado na idéia de que existiam povos superiores a outros (europeus superiores a asiáticos, indígenas e africanos). O darwinismo social interpretava a teoria da evolução a sua maneira errônea, afirmando a hegemonia de alguns sobre outros pela seleção natural. Assim, além de fenômeno político-econômico, o imperialismo teve profunda influência na cultura de sua época. Um exemplo disso foi o poema a “carga do homem branco”, escrito pelo poeta inglês, Rudyard Kipling (1865-1936):
“Tomai o fardo do Homem Branco –
Envia teus melhores filhos
Vão, condenem seus filhos ao exílio
Para servirem aos seus cativos;
Para esperar, com arreios
Com agitadores e selváticos
Seus cativos, servos obstinados,
Metade demônio, metade criança.

Tomai o fardo do Homem Branco –
Continua pacientemente
Encubra-se o terror ameaçador
E veja o espetáculo do orgulho;
Pela fala suave e simples
Explicando centenas de vezes
Procura outro lucro

E outro ganho do trabalho.

Tomai o fardo do Homem Branco –
As guerras selvagens pela paz –
Encha a boca dos Famintos,
E proclama, das doenças, o cessar;
E quando seu objetivo estiver perto
(O fim que todos procuram)
Olha a indolência e loucura pagã
Levando sua esperança ao chão.
Tomai o fardo do Homem Branco –
Sem a mão-de-ferro dos reis,
Mas, sim, servir e limpar –
A história dos comuns.
As portas que não deves entrar
As estradas que não deves passar
Vá, construa-as com a sua vida
E marque-as com a sua morte.

Tomai o fardo do homem branco –
E colha sua antiga recompensa –
A culpa de que farias melhor
O ódio daqueles que você guarda
O grito dos reféns que você ouve
(Ah, devagar!) em direção à luz:
"Porque nos trouxeste da servidão
Nossa amada noite no Egito?"
Tomai o fardo do homem branco –
Vós, não tenteis impedir –
Não clamem alto pela Liberdade
Para esconderem sua fadiga
Porque tudo que desejem ou sussurrem,
Porque serão levados ou farão,
Os povos silenciosos e calados
Seu Deus e tu, medirão.
Tomai o fardo do Homem Branco!
Acabaram-se seus dias de criança
O louro suave e ofertado
O louvor fácil e glorioso
Venha agora, procura sua virilidade
Através de todos os anos ingratos,
Frios, afiados com a sabedoria amada
O julgamento de sua nobreza”.

Assim, sob o pretexto de civilizar, no final do século XIX e começo do XX, os países imperialistas se lançaram numa corrida pela conquista global, o que desencadeou rivalidades entre os mesmos e começou a desenhar a conjuntura da Primeira Guerra Mundial. Uma “nova era imperialista” estava a caminho e nesta era os EUA se tornam o país dominante. No dizer de Eric Hobsbabwm, “A repartição do mundo entre um pequeno numero de Estados foi a expressão mais espetacular que já observamos da crescente divisão do planeta em fortes e fracos, ‘avançados’ e ‘atrasados’. Foi também notavelmente nova. Entre 1876 e 1915, cerca de um quarto da superfície continental do globo foi distribuído ou redistribuído, como colônia, entre meia dúzia de Estados. A Inglaterra aumentou seus territórios em cerca de 10 milhões de quilômetros quadrados; a França, em cerca de nove; a Alemanha conquistou mais de dois milhões e meio; a Bélgica e a Itália, pouco menos que essa extensão cada uma. Os EUA conquistaram cerca de 250 mil, principalmente da Espanha; o Japão, algo em torno da mesma quantidade, à custa da China, da Rússia e da Coréia. As antigas colônias africanas de Portugal foram ampliadas em 750 mil quilômetros quadrados; a Espanha, mesmo sendo uma perdedora liquida (para os EUA), ainda conseguiu tomar alguns territórios pedregosos no Marrocos e no Saara ocidental. Dentre os Impérios coloniais, apenas o holandês não conseguiu, ou não quis, adquirir novos territórios, salvo por meio da extensão de seu controle efetivo às ilhas indonésias, que há muito ‘possuía’ formalmente”. (HOBSBABWM, Eric. A era dos impérios. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1988. P. 91).

Características da expansão Imperialista do século XIX:
· Concentração de capitais: Capital industrial + Capital financeiro = associações monopolistas (Holdings, trustes e cartéis) – CAPITALISMO INDUSTRIAL E FINANCEIRO.
· Formas da dominação imperialista:
a) Dominação direta: Ocupação dos cargos governamentais por agentes metropolitanos (colônia), ocupação militar.
b) Dominação indireta (protetorado): Alianças com as elites coloniais, aparente independência política com profunda subordinação econômica.

A Partilha Imperialista
A partilha imperialista dos mercados periféricos pelas potências capitalistas se deu em três momentos. O primeiro foi a partilha da África, consolidada pela Conferência de Berlim de 1885. Nesta cúpula das potências européias, se desenhou, artificialmente, as fronteiras entre os países africanos segundo o princípio do “dividir para conquistar”, isto é, etnias distintas e rivais foram colocadas num mesmo território de modo a acirrar suas rivalidades e gerar conflitos entre elas. As conseqüências desta política são sentidas até os dias atuais nas violentas e brutais guerras étnico-religiosas que pululam em todo o continente africano.



















Seguindo as palavras do historiador Burns, “Uma Conferência, convocada em Berlim, no ano de 1885 e a qual compareceram representantes da maioria das nações européias e dos Estados Unidos, procurou estabelecer certas regras básicas para o jogo da aquisição imperialista. O Congo foi declarado Estado livre, sob tutela de Leopoldo II (o primeiro desse artifício, que depois se tornaria comum, de proteger povos “atrasados”). Uma nação européia que tivesse possessões na costa africana teria direitos de prioridade a territórios no interior, atrás dessas que era chamado ‘ocupação real’ – ou seja, a presença de administradores ou de tropas. A corrida havia começado! A ocupação era acompanhada pela exploração de trabalhadores nativos. Os acordos feitos com os chefes locais, adulados pelos europeus, autorizavam o emprego de homens e mulheres em condições pouco melhores que a escravidão. Forçados com freqüência a viver separados das famílias, os africanos sucumbiam a um sistema que erradicava os antigos costumes sem substituí-los por nada que se assemelhasse a uma nova civilização”. (BURNS, op. cit. p. 618).
O segundo momento foi a partilha da Ásia (os maiores mercados do mundo). Este processo foi mais demorado e envolveu também potências não européias, como os EUA, a Rússia e o Japão. O primeiro mercado colocado sob controle imperialista das potências capitalistas foi o Sudeste Asiático ainda no século XVIII, após a Guerra dos Sete Anos (1756-63), entre a Inglaterra e a França: ao final, após a derrota francesa, os ingleses assumiram o controle da Índia enquanto os franceses ficaram com a Indochina.
Depois foi a vez da China, submetida em meados do século XIX, após a Guerra do Ópio de 1842. Este conflito, que reuniu a maioria das potencias ocidentais, os EUA, a Rússia e o Japão com o Império Chinês, que capitulou. Foi, então, forçado a abrir seus portos às potências imperialistas, em alguns casos sob controle militar e territorial direto, como o foi o caso de Hong Kong, pelos ingleses.
“Durante muito tempo, a China permaneceu fechada a qualquer influência de outras regiões, sobretudo do ocidente, procurando preservar intacta sua cultura milenar. Até o século XIX, por exemplo, apenas o porto de Cantão estava autorizado a comerciar com o ocidente. Porém, em virtude de suas dimensões continentais, o país era cobiçado pelas nações européias, que aguardavam apenas uma oportunidade para estender seu domínio sobre a região.
Tentando criar essa oportunidade, comerciantes ingleses se dedicavam ao tráfico de uma droga muito consumida pelos chineses: o ópio. A droga sai de Bengala, na Índia, e era introduzida ilegalmente na China, afrontando decisões do governo chinês, que havia proibido sua entrada no país. Para coibir a atividade, a partir de 1839 as autoridades chinesas passaram a apreender e destruir os carregamentos de ópio.
A medida serviu de pretexto para que os ingleses deflagrassem a guerra do ópio (1839-1842). O confronto teve conseqüências desastrosas para a China, que foi obrigada, entre outras exigências, a ceder a ilha de Hong Kong, abrir cinco portos ao comercio exterior e pagar uma indenização de guerra aos ingleses. Mais tarde, o país seria submetido a novas humilhações pela Inglaterra, que provocou duas outras guerras do ópio, em 1856 e 1858. Depois de cada conflito, a China era obrigada a pagar novas indenizações e a abrir outros portos ao comércio inglês. Alguns anos mais tarde, sobreveio a guerra Sino-Japonesa (1894-1895), na qual o país perdeu a Coréia e a ilha de Formosa para o Japão. O pior, entretanto, ainda estava por vir.
A expansão do Japão contrariou os interesses das potencias ocidentais. Alegando que a China era incapaz de se defender, essas nações passaram a competir por concessões territoriais e privilégios econômicos do país. A partir de 1895, a China foi dividida em zonas de influências. Em cada uma delas, uma potência assumiu o direito de comerciar e fazer investimentos, além de contar com a garantia de que a área não seria alienada em favor de outro Estado”. (FIGUEIRA, Divalte Garcia. História. São Paulo: Ática, 2007, p. 257).
Ocorreu ainda a partilha dos mercados petrolíferos do Oriente Médio após a Primeira Guerra Mundial. Em 1920, o Tratado de Belfour estabeleceu as bases da atual divisão territorial da região e a tripla hegemonia dos EUA, Inglaterra e França.
O terceiro momento diz respeito aos mercados da América Latina. A maioria dos países latino-americanos eram ex-colônias das coroas ibéricas e tornaram-se independentes politicamente no início do século XIX. A emancipação política, entretanto, não implicou em transformações profundas nas estruturas sociais e econômicas das novas nações. Pelo contrário, a dependência econômica se aprofundou tanto em relação à Inglaterra como aos EUA.
Em vários momentos os povos dominados reagiram ao domínio imperialista promovendo levantes e revoltas contra as potências industriais dominantes. Estes foram os casos da Revolta dos Cipaios de 1857, na Índia, quando soldados indianos integrantes do Exército inglês (os Cipaios) se sublevaram e foram massacrados. Na China, também ocorreram vários levantes; os maiores foram o Levante de Taiping de 1857 e a Guerra dos Boxers de 1902, quando parte da população chinesa reage ao domínio anglo-ocidental e à difusão dos valores culturais ocidentais.
Outro levante importante ocorreu na África do Sul, mas este protagonizado pelos holandeses sul-africanos (Bôeres) contra o avanço imperialista inglês na região, após a descoberta de minas de diamantes e outros minérios. Esta disputa ficou conhecida pelo nome de Guerra dos Bôeres de 1900. Devemos também destacar o crescente fundamentalismo islâmico nos países do Oriente Médio, cujas manifestações mais recentes têm sido os constantes atentados terroristas, em várias partes do mundo, contra “alvos ocidentais”, principalmente, norte-americanos, ingleses e israelitas.
“Nenhum outro aspecto foi tão significativo para o curso da História do século XX como a revolta contra o colonialismo, cuja expansão atingiu seu apogeu no final do século XIX. O impacto dessa reação foi tão poderoso justamente por ter sido tão inesperado. No limiar do século XX, a hegemonia mundial da Europa parecia incontestável. (...) Isso não significa, porém, que o avanço europeu não tenha encontrado resistência. Os franceses tiveram de enfrentar prolongada luta contra os senussi, após ocuparem a Tunísia (no Norte da África), em 1881. As forças expedicionárias italianas vindas da Eritréia (na margem africana do Mar Vermelho) foram derrotadas pelos etíopes, em 1887 e 1896.
Os britânicos sofreram repetidos reveses no Sudão (ao sul do Egito). (...) O povo herero, no sudoeste africano, resistiu obstinadamente ao domínio alemão, com uma grande insurreição em 1904. Os britânicos tiveram de enfrentar resistência aos ashantis, dos matabeles, dos zulus, e de outras tribos africanas. (...)
A força e a extensão de todos esses movimentos de resistência foram constantemente subestimadas. Certamente elas exprimiam um sentimento nacional autêntico, ainda que pouco elaborado. Mas esse nacionalismo – embora verdadeiro e sentido em profundidade – raramente resultou em algo mais que uma explosão negativa de rancor e desespero. (...) O fanatismo não tinha nenhuma eficácia contra os armamentos modernos, e a tentativa de desalojar os odiados europeus pela força foi apenas um ato desesperado. Os incipientes movimentos nacionalistas da Ásia e da África só progrediram quando deixaram de lado o sonho de restauração do passado e se voltaram para uma nova direção, encarando o futuro.”. (BARRACIOUGH, Geoffrey. O Imperialismo e a reação nacionalista. In História do Século XX: 1900-1914. São Paulo, Abril cultural, 1973. P. 287).

Rumo a primeira grande guerra
Ao assumir a forma imperialista, o capitalismo europeu (e norte-americano) conseguiu resolver o problema da existência de excedentes de capital, que passaram a ser reinvestidos na África, Ásia e América latina. Mas gerou, ao mesmo tempo, um estado de tensão permanentemente entre as potencias, dada a repartição desigual das zonas de influencia – A Alemanha e a Itália, particularmente, não ficaram satisfeitas com parte que lhes coube na divisão.
Essas tensões provocariam rupturas no equilíbrio europeu, desencadeando entre as potências européias uma desesperada corrida armamentista que levou à chamada paz armada. O resultado desse processo seria a eclosão, em 1914, da primeira guerra mundial.

Um comentário:

  1. nao achei os territorios mais antigos e quais concequencias dessa expançao
    :S

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