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domingo, 14 de junho de 2009

As unificações italiana e alemã

Pré PADRÃO / Segundo ano Padrão / Terceiro ano Executivo Colégio e Curso
O nacionalismo e luta pela unificação Nacional: Alemanha e Itália
Com a expansão da Revolução industrial pela Europa a partir dos anos de 1830, as elites dominantes em alguns Estados da Península itálica e da Confederação germânica passaram a lutar em favor da unificação das suas respectivas regiões. Essa etapa seria decisiva na luta desses Estados para equiparar-se à França e à Inglaterra. Politicamente frágeis essas duas burguesias não se sentiram em condições de assumir a direção desse processo e, por isso, se colocaram sob a tutela de projetos monárquicos exigindo, em contrapartida que, após a concretização da unidade nacional, fosse adotado o modelo monárquico-constitucional e que o Estado fomentasse o desenvolvimento da economia nacional.

Nacionalismo: a base teórica dos processos de unificação
Para situarmos historicamente as idéias nacionalistas no século XIX adotaremos a definição explicitada por Burns em História da Civilização Ocidental (Vol.2). Para este autor, o nacionalismo é “(...) um sentimento com raízes em amplas circunstancias históricas, geográficas, lingüísticas e culturais. Ele se caracteriza pela consciência que tem um grupo de pertencer a uma tradição derivada dessas circunstancias, as quais diferem das tradições de outros grupos. A formação nacional é a realização política dos propósitos do nacionalismo, a tradução do sentimento em poder.”. (BURNS, Op.cit. p.573). Este sentimento, durante a primeira metade do século XIX, foi alvo de interpretações dispares: se para burgueses significava a ampliação de mercados nacionais, para grupos populares traduziu, em diversos países, a exemplo da Grécia, o desejo de construção de uma nação independente e democrática.
Não poderíamos deixar de referenciar também que o sentimento e as idéias nacionalistas sofreram profunda influência do romantismo do século XIX. Ambos ligavam-se pela crença de que se devia fazer o passado funcionar como um meio de compreender o presente e planejar o futuro, ou seja, articulavam-se através de uma teoria da História.
Pensadores como Johhann Von Herder (1744-1803), deixaram como legado a idéia de que a construção histórica do mundo civilizado não era produto de uma elite de letrados iluminados e sim da genuína cultura do povo comum, elemento que deveria gozar de autonomia e direito para se expressar livremente. Outro pensador que foi fundamental para a edificação das idéias que acabaram fundindo o romantismo ao nacionalismo no século XIX foi Georg Hegel (1770-1831). Professor da universidade de Berlin, Hegel teve inúmeros seguidores. Sua teoria da História advogava a idéia de que as sociedades evoluem no sentido do progresso sendo o conflito dialético das idéias o motor dessa evolução. As instituições sociais e políticas evoluíam, amadureciam, realizavam seus objetivos e davam lugar a outras. Como o padrão da mudança era dialético, haveria o choque entre o velho e o Novo destinado a produzir uma síntese. “Hegel esperava, por exemplo, que a desunião entre os Estados alemães (tese – ‘o velho’) que gerava a idéia de unificação (antítese – ‘o novo’), tivesse como resultado inevitável a criação de um Estado nacional (síntese).”. (adaptado de BURNS, Op.cit. p.576). Nessa visão, portanto, passado e presente se articulavam em uma síntese de idéias que produziria uma nova sociedade. Em resumo, é na valorização do passado que nacionalismo e romantismo se entrecruzavam para produzir uma visão de mundo que favoreceu a luta pela unidade nacional.
Finalmente, não poderíamos deixar de mencionar as contribuições de Lord Byron, talvez o mais nacionalista dentre todos os românticos: expressando os conflitos fundamentais do seu tempo, tornou-se famoso por representar as emoções e a liberdade de seu eu individual moderno em afirmações como: “ainda que tivesse que ficar só, não trocaria minha liberdade de pensar por um trono”. Esse poeta também engajou-se apaixonadamente em uma causa nacionalista coletiva: a independência da Grécia, pela qual morreu em combate e sobre a qual escreveu:
“Ilhas da Grécia ó da Grécia as ilhas
Lá onde a ardente Safo amou, escreveu,
De onde as artes da guerra e paz são filhas,
E onde delos surgiu, febo nasceu!
O eterno estio as doura sempre ainda.
Mas só o sol resta de uma glória finda.
[...]
Lá do alto as serras fitam Maratona,
E Maratona, os olhos põe na enseada.
Meu pensamento ali flutuando à tona,
Sonhava com uma Grécia libertada.
Se o túmulo dos persas eu pisava,
Havia eu de ser escravo em terra escrava”. (BYRON, GEORGE GORDON. ILHAS DA GRÉCIA).


Processos de unificação: antecdentes.
Inicialmente, nos processos revolucionários de 1830 e 1848, o Nacionalismo foi um sentimento reavivado contra as pretensões restauradoras das forças que emergiram temporariamente vitoriosas do congresso de Viena (1815). Por essa época, a bandeira do nacionalismo foi agitada em conjunto com a do voto universal masculino, por forças populares, o que explica o afastamento burguês desses movimentos e seus fracassos na Alemanha e na Itália.
Separada das tendências revolucionárias após 1850, a chamada política das nacionalidades, agora sob direção burguesa, ganhou um caráter conservador – de unidade de mercado sob direção e monopólio político burguês – iniciando a trajetória que levaria a unificação de nações como a Itália e a Alemanha. A direção desses movimentos de unificação teve como ponto de partida áreas onde a revolução industrial estava em andamento e a procura de mercados consumidores.

A unificação italiana
Napoleão Bonaparte criou diversos Estados na península Itálica: Reino da Etrúria, Reino de Itália (1805-1814) e entregou o governo do Reino de Nápoles ao seu irmão José. Durante esse período, esses territórios passaram por reformas liberais e pela extinção dos privilégios feudais e eclesiásticos.
A Itália napoleônica (1812)
Após o
Congresso de Viena, com a conferência de paz que se seguiu à derrota de Napoleão e a liquidação do sistema, a península Itálica ficou dividida e subjugada. A Áustria dominava a Lombardia e Vêneto (Venécia); os ducados de Parma e Piacenza, Módena e Toscana eram regidos pelos arquiduques austríacos; o Piemonte, que integrava o Reino de Sardenha junto com o Ducado de Sabóia e Gênova, era governado pela casa de Sabóia; o Papa governava os Estados Pontifícios, estendendo sua autoridade às províncias do Adriático, e os Bourbon voltaram ao Reino das Duas Sicílias. Em todas essas regiões, foi estabelecido o absolutismo. O único Estado que permaneceu mais ou menos liberal foi o Reino da Sardenha, na ocasião composto das atuais regiões de Piemonte e da Sardenha.
Península Itálica após o Congresso de Viena (1814-1815).
Os governantes do Antigo Regime, impostos pelo Congresso de Viena, sem apoio popular, governavam com auxílio das forças austríacas. Entretanto, as idéias nacionalistas e revolucionárias continuavam propagando-se, incentivadas pelo progresso econômico e o amadurecimento das instituições. O incremento da produção têxtil do Reino do Piemonte-Sardenha exigia um vasto mercado que somente poderia ser a Itália unificada. As
ferrovias favoreceram as comunicações e, com elas, a unidade dos diversos Estados. Outro elemento aglutinador era a língua italiana. Os italianos podiam estar separados pelas fronteiras, com monarcas estrangeiros impostos pela Santa Aliança, mas ninguém podia despojá-los do idioma de Dante, Petrarca e Boccaccio. Por outro lado, o romantismo, que se identificou na Itália com o Risorgimento letterario, adquiriu um claro poder político. Assuntos aparentemente literários ou históricos encontravam-se cheios de alusões à escravidão e a tirania. Onde não se tolerava a crítica, empregava-se a sátira.
As idéias revolucionárias também se propagaram através de sociedades secretas, como a dos carbonários. Durante o domínio napoleônico, formou-se na Itália uma resistência que contou com membros de uma organização secreta – a
Carbonária. Sendo uma sociedade mais ou menos maçônica, surgiu em Nápoles, dominada pelo general francês Joaquim Murat, cunhado de Bonaparte. Seu objetivo, como o da maçonaria em geral, era combater a intolerância religiosa, o absolutismo e defender os ideais liberais. Lutava contra os franceses porque as tropas de Napoleão haviam iniciado uma espoliação da Itália, embora defendessem os mesmos princípios de Bonaparte.
Com a expulsão dos franceses, os Carbonários queriam unificar a Itália e implantar os ideais liberais. A organização clandestina não tinha nenhuma ligação popular, pois, por razões de segurança não divulgava suas atividades. Além disso, a Itália era uma região
agrícola e extremamente católica, com camponeses analfabetos e religiosos, que tradicionalmente se identificavam com idéias e chefes conservadores. Giuseppe Mazzini (1805-1872), político genovês, entrou para a sociedade dos Carbonários em 1830. Ao ser preso em 1831 por advogar inflamadamente a rebelião, passou a criticar as sociedades secretas, seus ritos e a ineficiência militar. Afinal, elas não conseguiram realizar a unificação italiana e não tinham nenhuma representatividade popular. Da crítica às sociedades, Mazzini passou à ação. Fundou o movimento Jovem Itália, organização paramilitar que pretendia libertar as regiões italianas do domínio austríaco e unificar o país, por meio da educação do povo e da fundação de uma república democrática. Suas palavras de ordem eram: direito dos homens, progresso, igualdade jurídica e fraternidade. A sociedade organizou células revolucionárias em toda a península.
A esse movimento democrático opunham-se outras correntes que também pretendiam a unificação italiana. Eram os reformistas monarquistas, contrários à violência proposta por Mazzini e que acreditavam na realização da unidade política em torno do Reino do Piemonte-Sardenha e sob um regime monárquico constitucional.
Em 1820, revoltam-se em Nápoles dois oficiais franceses, Morelli e Silvati, com as suas divisões de cavalaria, claramente incitados pela agitação que eclodira pouco antes na Espanha (luta pela Monarquia Constitucional). A revolta começa vitoriosa, o exército agrupa-se quase completamente ao redor dos insurretos, cujo comando é assumido por Guglielmo Pepe. O rei vê-se forçado a proclamar a constituição e a formar um governo predominantemente constituído por antigos adeptos de Joaquim Murat. Os acontecimentos em Nápoles se propagam imediatamente à Sicília, onde a revolta assume um caráter autonomista. Um movimento de carbonários piemonteses exige da mesma forma a promulgação de uma constituição, concedida pelo regente do rei Carlos Félix, Carlos Alberto. Mas tanto o movimento napolitano quanto o piemontês são reprimidos. Morelli e Silvati acabam na prisão e com eles muitos outros. No Piemonte, Laneri e Grelli são condenados. E assim quase todos os que tinham se comprometido com as insurreições dos carbonários se vêem forçados a ir para o exílio.
O que caracteriza essas primeiras tentativas é o quase completo afastamento das massas populares e da burguesia. São movimentos conduzidos por oficiais e descendentes da nobreza, com ideais de liberdade, constituição e parlamento, muito distantes das preocupações da população ligada à agricultura principalmente, tais como repartição de terras e contratos de arrendamento. As insurreições seguintes, de
1830 e 1831, sobretudo nos Estados da Igreja, em Módena e em Parma, igualmente reprimidos em sangrentos combates, continuam a não mostrar modificações nesta esfera.
O movimento de unificação de Itália foi desencadeado pela
revolução de 1848-1849. Após a Revolução de Julho, na França, nacionalistas italianos começaram a apoiar Mazzini e o movimento Jovem Itália. Foram incentivados pelo liberal Carlos Alberto da Sardenha, que havia assumido o trono da Sardenha e que se tornara o governante de Piemonte em 1831. O rei Carlos Alberto adotou uma forma de governo diferente dos demais: o parlamentarismo. Seguindo, inclusive, orientações do Papa Pio IX, que abolira o absolutismo nos Estados Pontifícios, dando anistia aos condenados políticos, promulgou uma Constituição liberal (o Estatuto Fundamental). Administrador capaz reformou o sistema financeiro e reforçou o exército.
Em
1847, Camilo Benso, o Conde de Cavour, começou a editar um jornal chamado Il Risorgimento, influenciando largamente o rei, que, convicto da necessidade de expulsar os austríacos da Lombardia e de Veneza, declarou guerra à Áustria em 1848, contando unicamente com suas próprias forças. Os sardo-piemonteses tiveram que lutar sozinhos, sendo derrotados em Custozza (1848) e Novara (1849). As condições de paz eram humilhantes para serem aceitas e, acreditando que sua utilidade para o país havia terminado, Carlos Alberto abdicou em 23 de Março de 1849 em favor de seu filho Vitor Emanuel II (1849-1878) e se exilou em Portugal, vindo a morrer meses depois.
Entre
1848 e 1849, começam as tentativas de unificação do reino da Itália. Durante esse período, os revolucionários proclamam pelo menos três repúblicas, a de São Marcos, a Toscana e a República Romana. Essa última república foi proclamada quando, em 1849, Mazzini comandou uma revolução em Roma. Os revoltosos cercaram o palácio do Quirinal, onde morava o Papa Pio IX, e o ameaçaram seriamente. Para salvar-se, o Pontífice, dissimulado sob outros trajes, fugiu para Gaeta, fortaleza localizada no Reino das Duas Sicílias (24 de novembro de 1848). Em 9 de Fevereiro de 1849, uma Assembléia Constituinte em Roma proclamou a República Romana. Um dos primeiros atos da nova república foi a elaboração de uma constituição que pudesse ser utilizada por uma Itália unida. Pio IX apelou para as potências européias, pois o Congresso de Viena tinha reconhecido e confirmado as fronteiras dos Estados da Igreja. Nações católicas como a Áustria, a França e a Espanha mandaram tropas para atacar Roma e a república foi abolida em Julho de 1849. O Papa voltou à sua capital em 1850.
O movimento de Mazzini, apesar de outras tentativas de insurreição, em
1853, enfraquecia. As forças que queriam construir uma Itália mais moderna e democrática foram vencidas. Depois da onda revolucionária, os partidos mais tradicionais cresceram, promovendo posteriormente a unidade italiana, em bases não-democráticas, sob a égide do Reino da Sardenha. A derrota dos revolucionários provocou a restauração do absolutismo em quase todos os Estados italianos. O único reino que manteve uma constituição liberal foi o Piemonte-Sardenha. Quase todos os partidos empenhados na unificação depositaram aí suas esperanças.

Vitor Emanuel e Cavour
Vitor Emanuel II subiu ao trono do Reino de Sardenha com 29 anos. Destemido na guerra, embora não tão bem dotado como governante, mostrou coragem ao rejeitar as imposições da Áustria para que revogasse a Constituição de seu pai, embora esta atitude tenha lhe custado extensos territórios. Mas ao insistir em conceder anistia aos italianos que haviam se revoltado contra os austríacos, tornou-se um herói para seu povo, atraindo vários partidários de idéias unificadoras. Apesar da derrota de seu pai, seu reino crescia a cada dia em população e progresso, tornando-se o centro do movimento nacionalista.
Após a derrota frente à Áustria, em
1852, Vítor Emanuel II nomeou como Chefe de Gabinete o Conde de Cavour (1810-1861), líder do Partido Moderado e descendente de ricos latifundiários. Este político queria dar à Itália uma Constituição de tipo britânico e era partidário da unificação da Itália, acreditando que a Casa de Sabóia deveria liderar o processo. Um dos principais obstáculos à unidade italiana era a Áustria, que possuía muitos territórios no Norte da Itália. Cavour atuou em duas frentes para derrotá-la: no reaparelhamento militar e econômico do Piemonte-Sardenha e na diplomacia internacional para conquistar aliados contra aquele país.

O Conde de Cavour (1810 - 1861).
Internamente, Cavour procurou desenvolver a
indústria, o comércio, as ferrovias e o exército sardo-piemontês. Externamente, participou da Guerra da Criméia (1854-1856) contra a Rússia, ao lado da França e da Inglaterra, para obter apoio contra a Áustria. Em 1855, Napoleão III, que contrário aos tratados de Viena (1815), apoiar o Piemonte-Sardenha. Em 1856, França e Inglaterra debatiam abertamente o problema do obscurantismo predominante nos Estados Pontifícios e no Reino das Duas Sicílias, chegando à conclusão de que as duas potências tinham a responsabilidade de modificar essa situação. Cavour utiliza-se da Conferência de Paris, após a guerra, para denunciar a Áustria e despertar o interesse das nações européias para a causa italiana.
Ele e Napoleão III se reuniram secretamente em
Plombiers, no verão de 1858. No final do encontro, a França se comprometeu a apoiar o Reino Sardo-Piemontês em caso de invasão austríaca. Confiando nessa promessa, Cavour logo iniciou uma política beligerante contra os austríacos, tentando envolvê-los numa guerra contra o Piemonte-Sardenha.
As Guerras de Independência
Entre
1848 e 1866 os exércitos do Reino de Sardenha e do Império Austríaco combateram três guerras que, com êxitos alternados, levaram à libertação da maior parte do Norte da Península Itálica do domínio austríaco.
A
primeira guerra se desenvolveu em 1848-1849 e terminou com a derrota do exército sardo-piemontês. A segunda guerra se desenvolveu em 1859, quando o Reino de Sardenha se aliou à França e terminou com a derrota da Áustria e a formação do núcleo que originaria o reino de Itália. A terceira guerra ocorreu em 1866 e o Reino de Itália aliou-se à Prússia contra a Áustria. Graças à vitória do exército prussiano contra a Áustria, o reino de Itália adquiriu o controle sobre o Vêneto.

Giuseppe Garibaldi. Partidário do movimento Jovem Itália, teve de deixar o país em 1834, regressando catorze anos depois.
Os austríacos invadiram o
Piemonte, parte do Reino da Sardenha, em 1859, iniciando a Segunda Guerra de Independência Italiana que teve a França lutando ao lado da Sardenha. A partir do Sul, voluntários aderiram à guerra sob a liderança de Giuseppe Garibaldi, um dos próceres do movimento de unificação do país, chamado a intervir para conferir a este conflito um caráter mais popular. Os povos dos ducados de Módena e Parma, governados por duques ligados ao Império Austríaco, expulsaram seus governantes. A Toscânia, seguida por outros Estados, revoltou-se e juntou-se ao Reino da Sardenha.
Na frente de batalha ao norte, os austríacos sofreram retumbantes derrotas frente aos franceses e sardo-piemonteses nas batalhas de
Montebello (20 de maio de 1859), Magenta (4 de julho de 1859) e Solferino (21 de Junho de 1859). Se as hostilidades continuassem, é muito provável que os austríacos tivessem sido expulsos por completo da Península Itálica. Apesar das vitórias, o governante francês, amedrontado pela possibilidade da guerra evoluir para uma revolução, pela violenta campanha dos católicos franceses (protestando contra o ataque aos Estados da Igreja) e pela possibilidade de a Prússia entrar no conflito em apoio ao imperador Francisco José I da Áustria (a Prússia concentrou poderoso exército nas fronteiras com a França), preferiu assinar um armistício em Villafranca. Em 10 de Novembro de 1859, foi firmado o Tratado de Zurique que confirmava o controle da Áustria sobre o Vêneto, cedia a Lombardia à França e estabelecia o retorno ao trono dos soberanos de Toscana, Parma e Módena. Ainda que Napoleão III repassasse, posteriormente, a Lombardia ao Piemonte-Sardenha, as condições do armistício provocaram indignação nos patriotas. Os ducados de Toscana, Parma e Módena não reempossaram seus soberanos. Esses ducados e parte dos Estados Pontifícios (as Marcas e a Úmbria) optaram, mediante plebiscitos populares, pela união com o Piemonte-Sardenha. Napoleão III concordou, desde que a França recebesse o Ducado de Sabóia e Nice. No mesmo ano, foi feito um plebiscito nessas duas regiões, que passaram à França, praticamente por unanimidade. No transcurso da primeira metade de 1860, o Reino da Sardenha transformou-se no Reino de Itália.
Olhando com desconfiança para a política francesa na Itália, uma vez que ela visava aumentar a zona de influência de
Paris, desequilibrando as forças no continente europeu, o governo inglês preferiu apoiar a criação de um Estado unificado na Itália, impedindo que a França assumisse o papel de árbitro na política peninsular.

A conquista da Sicília
Em Abril de
1860, iniciou-se uma insurreição camponesa na Sicília, para onde se dirigiu Garibaldi. Em Maio de 1860, o lendário Giuseppe Garibaldi – líder da Sociedade Nacional, um movimento criado com o apoio do Conde de Cavour e que tinha por finalidade unificar a Itália – partiu de Gênova e desembarcou em Marsala com um exército popular de 1070 homens conhecido como os "mil de Garibaldi" ou os "mil camisas-vermelhas", porque estes voluntários usavam camisas-vermelhas.
Dentro de duas semanas, os revolucionários chegaram à cidade de
Palermo, obtendo a capitulação de um exército regular de 20.000 homens. Em Setembro, Garibaldi entrou em Nápoles, sendo logo seguido pelo exército de Vítor Emanuel II, que havia conquistado os Estados Pontifícios. Garibaldi assumiu o poder em Nápoles, com o apoio incondicional de uma parte considerável da população, com exceção dos camponeses, que não constituíam uma forte oposição aos latifundiários.
Republicano convicto, Garibaldi opunha-se à política da
Casa de Sabóia, pois ela daria ao país o regime monárquico. Apesar disso, Garibaldi voluntariamente reconheceu a autoridade de Vítor Emanuel quando esta foi exigida por Cavour e entregou o Reino das Duas Sicílias ao rei, pois preferia ver uma Itália monárquica unida a uma Itália desunida. Vítor Emanuel foi proclamado, em 17 de março de 1861, rei da Itália, cuja capital passou de Turim para Florença em 1865, já falecido Cavour. Em 1861, a comunidade internacional, com exceção da Áustria, reconheceu o nascimento do novo Estado italiano.
“Na luta pela Unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi (1807-1882), representava os setores da população que queriam fazer da península uma República democrática. Líder dos trabalhadores da região sul, comandou a Insurreição popular que expulsou a dinastia dos Bourbon do reino das duas Sicílias em 1860. Concluída a unificação em 1870, foi eleito Deputado, mas sua sede de justiça social o levou a afastar-se da política em 1880.”. (CAPUANO, Ivonne. De sonhos e utopias... Anita e Giuseppe Garibaldi. São Paulo, Melhoramentos, 1999, p.871).

Veneza e Roma
Ainda permaneciam sem solução o
Vêneto (em poder da Áustria) e Roma (em poder do papa). Negociações diplomáticas, realizadas pelo governo italiano com a Áustria e com o Papa fracassaram.
Em
1866, a Prússia entrou em guerra com a Áustria, auxiliada pelo novo Estado italiano. Garibaldi e os seus homens sofreram muitas derrotas, mas as tropas da Prússia ditaram o resultado final deste conflito. Após a assinatura da Paz de Viena em 1868, a Áustria foi coagida a renunciar ao Vêneto e a região foi integrada ao Reino da Itália.
Em
1862, Garibaldi tentara conquistar Roma, mas fora vencido. Em 1867, tentou novamente, porém o imperador francês Napoleão III, pressionado pelos católicos de seu pais, invadiu Roma e recolocou o Papa no trono. Pela importância histórica da cidade, antiga capital do Império Romano e sede da cristandade ocidental, a Itália sem Roma era como um homem sem cabeça. Os partidários da unificação queriam transformá-la na capital do novo reino. Os obstáculos eram o Exército francês, que ocupava a cidade e o papa, que controlava as amplas massas italianas, majoritariamente católicas.
O primeiro obstáculo foi removido com a
Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Devido a essa guerra, as tropas francesas foram retiradas da "Cidade Eterna" para combater os prussianos, e os italianos invadiram a cidade, que foi ocupada pelas tropas de Vítor Emanuel em 20 de setembro de 1870, sendo transformada na capital do reino que se formava. Em 13 de Março de 1871, Vítor Emanuel ofereceu como compensação ao Papa uma indenização e o compromisso de mantê-lo como chefe do Estado do Vaticano, um bairro de Roma onde ficava a sede da Igreja.
O
Papa Pio IX, consciente de sua influência sobre os católicos italianos e desejando conservar o poder da Igreja, recusou as duas ofertas e declarou-se prisioneiro voluntário do Estado italiano. Além disso, proibiu os católicos italianos de votar nas eleições do novo reino.
Essa incômoda questão de disputas entre o Estado e a Igreja, chamada
Questão Romana, só terminou em 1929, quando o ditador fascista Benito Mussolini, necessitando de apoio da Igreja e dos católicos, assinou com o Papa Pio XI o Tratado de Latrão. Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual se criava o Estado do Vaticano, o Sumo Pontífice recebia indenização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina.

A unificação alemã
Em meados do
século XIX, o espaço territorial germânico era constituído por diferentes reinos, ducados e cidades livres, que apenas tinham em comum a mesma língua (o alemão) e a mesma base cultural. Nele, a hegemonia política era disputada pelas suas duas principais potências: a Áustria dos Habsburgos, que dominava a Dieta (o Parlamento da Confederação Germânica) e a Prússia, governada pelos Hohenzollern. No plano econômico, o território germânico ainda vivia, em linhas gerais, numa estrutura feudal, em plena Idade Contemporânea; a exceção era a Prússia, mais industrializada, com maior poder econômico, que desde 1834 implantara o "Zollverein", uma aliança aduaneira entre os Estados da Liga Alemã.
Desde o início do
século XIX que o desejo da unidade nacional podia ser notado, principalmente nos meios acadêmicos e literários. Como exemplo, Freiherr vom Stein, na Prússia, tentou implantar um programa político inspirado nessa pretensão, porém acabou sendo afastado em 1808. Após isso a Áustria reafirmou sua influência e o nacionalismo alemão ficou inoperante até 1848, quando ocorreram diversas revoluções por toda a Europa, a chamada "Primavera dos Povos".

Revolta de 19 de Março de 1848 em Berlim.
A partir do movimento de Fevereiro de
1848, na França, que conduziu à abdicação de Luís Felipe de Orleans, nos meses seguintes, diversos Estados alemães também se revoltaram, registrando-se manifestações populares e um movimento a favor de um parlamento nacional eleito pelo povo, que elaborasse uma nova constituição para uma Alemanha unificada.
No
Império Austríaco, constituído pela Áustria e pelos reinos da Hungria, da Boêmia, Lombardo-Vêneto e da Galiza (sul da atual Polônia), registravam-se tendências separatistas entre as diversas minorias étnicas, que haviam sido arbitrariamente reunidas sob a Coroa Austríaca pelo Congresso de Viena (1815). Submetidas a um regime político absolutista, personificado pelo primeiro-ministro von Metternich, a Áustria-Hungria era uma região economicamente atrasada, onde no campo persistiam os laços de servidão, e nos centros urbanos, uma alta burguesia pouco numerosa controlava as atividades econômicas, sujeitando a pequena burguesia, os artesãos e os operários.
Em
Março de 1848, assim que as notícias do levante de Fevereiro em Paris tornaram-se conhecidas em Viena, a burguesia liberal uniu-se à pequena burguesia e ao operariado, promovendo manifestações de rua para reivindicar a ampliação do direito de voto e a destituição de Metternich. Diante da radicalização do movimento, Metternich fugiu para a Inglaterra e o imperador Fernando I outorgou uma Constituição, com a qual esperava esvaziar a revolta. Entretanto, um novo levante em Maio obrigou-o a convocar uma Assembléia Nacional, eleita por sufrágio universal masculino.
Poucos dias após a
insurreição em Viena, burgueses e operários de Berlim ergueram barricadas nas ruas, entrando em choque com as tropas do rei Frederico Guilherme IV da Prússia, que também foi obrigado a autorizar a convocação de uma Assembléia Constituinte. Ao mesmo tempo, ainda em Maio de 1848, uma Assembléia composta por deputados eleitos por todo o território germânico - o Deutscher Bund - se reuniu em Frankfurt para a elaboração da nova constituição alemã. Nela, distinguiam-se dois grupos de deputados: os Grossdeutsche e os Kleindeutsche. Os deputados do primeiro grupo defendiam uma Alemanha incluindo a Áustria, estendendo-se do mar Báltico, ao norte, até ao Adriático, ao sul. Já o segundo grupo defendia uma Alemanha sob liderança dos prussianos, excluindo assim a Áustria. A solução encontrada para o impasse foi a de um Estado governado pelos Hohenzollern. A Coroa da nova Alemanha foi oferecida ao rei da Prússia, Frederico Guilherme IV, que recusou-a e também não aceitou a Constituição de Frankfurt. Esta atitude foi repetida pelo governo da Áustria e dos outros Estados alemães. O povo alemão, embora quisesse ver a nova Constituição aprovada, não estava totalmente satisfeito com ela, pois o poder ainda continuaria na mão dos antigos líderes. Deste modo, a revolução ficou enfraquecida, a Assembléia foi dissolvida e a restauração conservadora se completou, acabando, por algum tempo, com o sonho de uma Alemanha unificada. Em Viena, constatando que não conseguia mais controlar o povo, a burguesia voltou atrás em seu apoio à revolução, optando por sujeitar-se a um governo fortemente centralizado a colocar em risco a sua posição econômica. Com a união da burguesia à aristocracia, o exército retomou a cidade, conseguindo sufocar a rebelião em Outubro. O novo primeiro-ministro, Schwarzenberg, dissolveu a Assembléia Constituinte, forçando o imperador Fernando I a abdicar em favor de seu sobrinho Francisco José, que restaurou o Absolutismo. Nas demais regiões do Império, as minorias nacionais, encorajadas pelos levantes de Viena e Berlim, mobilizaram-se pela independência. Na Boêmia (atual República Checa), em Abril de 1848, foi convocado um Parlamento independente como primeiro passo para a formação de uma Assembléia Constituinte. Na Hungria, o advogado Lajos Kossuth, líder do movimento autonomista, proclamou a República, em Abril de 1849. Mas todas essas rebeliões foram sufocadas pelo exército austríaco que, no caso da Hungria, recorreu à ajuda das tropas do czar Nicolau I da Rússia.
As
Revoluções de 1848 na região, mesmo sem sucesso, permitiram mostrar o caminho a ser seguido: um processo de unificação liderado pela Prússia, mas não pelos meios revolucionários, e sim pela Casa dos Hohenzollern.

Otto von Bismarck o "Chanceler de Ferro" (1815-1898), responsável pela unificação do território alemão.
O fracasso da
Revolução de 1848, de intuitos unificadores, implicou a continuidade da fragmentação da Alemanha. Na década de 1850, os grandes senhores da Prússia, detentores do poder político, mantinham os seus privilégios - o monarca, receando uma nova revolução, resolveu manter a Constituição onde esses privilégios eram consagrados.
A partir de
1848, o ritmo de desenvolvimento do setor industrial e das cidades foi bastante acelerado e apenas a divisão política travava o progresso do capitalismo. Tornava-se indispensável a unificação da Alemanha para prosseguir o projeto econômico germânico.
A liderança da unificação alemã ficou com a
Prússia, pois este era o Estado alemão mais industrializado e com grande importância política na Europa. Era também a maior potência militar entre os estados alemães. Seu desejo expansionista vinha de algumas décadas, de quando desejava unificar seus territórios ocidental e oriental. Para este fim havia nascido o Zollverein (1834). A criação do Zollverein proporcionou à região um grande crescimento industrial e integração dos Estados, principalmente com o desenvolvimento de uma rede ferroviária interligando as diversas regiões do território germânico;

Bismarck, Roon e Moltke.
Por volta de
1850, a Prússia já superava economicamente a Áustria, mas a liderança política veio apenas em 1862, quando começou a governar a Prússia o rei Guilherme I, um apaixonado pelas questões militares, que fez uma reforma em suas forças armadas. Convocou, para auxiliá-lo, Moltke, chefe de Estado-Maior, e Roon, como ministro da Guerra. O exército da Prússia logo se transformou no melhor da Europa.
Otto von Bismarck - que tinha ocupado, entre outros cargos, o de embaixador na Rússia e na França - foi nomeado chanceler (primeiro-ministro). Membro da aristocracia alemã e também favorável a uma monarquia centralizada, Bismarck realizou uma política de aliança dos junkers (grandes proprietários e aristocratas) com a alta burguesia, e através dela resolveu fortalecer o Zollverein, intensificando a integração dos Estados alemães além de modernizar o Exército, sendo isso de grande importância para as batalhas que aconteceriam nos anos seguintes. Utilizando-se da estratégia de exaltação do espírito nacionalista, criou uma política de guerras contra inimigos externos e contra a ocupação das regiões alemãs, o que auxiliou na expansão do território prussiano e, posteriormente, germânico. Em um período de sete anos (1864 - 1871), três guerras de destaque foram decisivas para a unificação dos Estados germânicos: A Guerra dos Ducados (1864), a Guerra Austro-Prussiana (1866) e a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

A Guerra dos Ducados (1864), contra a Dinamarca
Em
1864 a Prússia juntou-se a Áustria em uma guerra contra a Dinamarca pelo domínio dos ducados de Schleswig e Holstein. O confronto ficou conhecido como Guerra dos Ducados' e ao seu final, Prússia e Áustria, vitoriosas, dividiram a administração dos ducados através da Convenção de Gastein, em 1865. A Áustria, porém, tentou implantar uma política única ao condado de Holstein, privando assim a Prússia de direitos assegurados em outros acordos. Restou a Bismarck entrar em guerra contra a Áustria em 1866.

A Guerra Austro-Prussiana (1866)
Em
1866, a Prússia, com o auxilio da Itália, também sob processo de unificação nacional, entrou em Guerra contra a Áustria. A vitória prussiana veio após a Batalha de Königgrätz, em Sadowa (03 de Julho de 1866). No dia 23 de Agosto de 1866 foi firmado o acordo de paz em Praga. Com a vitória a Prússia expulsou a Áustria da Alemanha. No ano seguinte, Bismarck dividiu a Confederação em dois grupos de Estados; a Confederação do Norte e a do Sul, tendo como limite o rio Main. A Confederação da Alemanha do Norte, logicamente, ficou sob seu controle, com os países (principados e cidades livres), luteranos, que a apoiaram na Guerra Austro-Prussiana. Os quatro Estados que formavam a Confederação do Sul, majoritariamente católicos, não conseguiram se consolidar em uma unidade. Estes Estados viriam a negociar um pacto com a Confederação da Alemanha do Norte, segundo o qual, em caso de guerra com a França, o rei da Prússia tornar-se-ia general dos exércitos germânicos. A Confederação do Norte é a antecessora do posterior Império Alemão, que precisava de muito pouco para se concretizar: a guerra contra a França.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

Napoleão III e Bismarck após a Batalha de Sedan.
Apesar de a
Áustria ter sido derrotada pela Prússia, o sul da Alemanha era constituído por democratas e aspiravam uma Alemanha liberal, se opondo à união com a Prússia de Bismarck, que era um Estado militarista. Visando eliminar este entrave à unificação do norte com o sul, Bismarck necessitava de um inimigo comum que uniria, e possibilitaria a futura unificação; e este inimigo mais adiante seria a França de Napoleão III. Desde os tempos das guerras napoleônicas (de Napoleão I, derrotado em 18 de junho de 1815), os prussianos não simpatizavam com a França, e os professores prussianos repassavam este sentimento aos seus alunos em relação à nação francesa. Daí, Bismarck afirmar que foi o mestre-escola quem ganhou a guerra franco-prussiana, logo após a derrota da França na guerra contra a Prússia.

Pretexto da Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)
A
Espanha, que estava sem rei desde 1868, ofereceu através de seu parlamento a Coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, parente afastado do rei da Prússia (também da Casa dos Hohenzollern). Tal fato era inaceitável pela Europa anti-prussiana que contava também com a França. O ministro do exército francês proferiu um discurso indignado e belicoso contra a Prússia, o que gerou sentimentos anti-franceses no sul da Alemanha. Bismarck aproveitou-se da idéia de guerra entre os dois países, pois estava interessado em territórios franceses e sabia que conseguiria apoio no sul da Alemanha, o que seria decisivo para seus planos de unificação alemã. Ele também sabia da superioridade de seu poderio militar sobre o medíocre exército francês. Todavia antes do conflito começar, Napoleão III temendo a expansão prussiana, protesta e exige do rei da Prússia a renúncia do príncipe Leopoldo, que desiste de disputar o trono espanhol. Napoleão III ainda não satisfeito, e querendo agradar à opinião pública francesa, exige novas garantias de que jamais um membro de sua família ocuparia o trono espanhol.
Apesar de Guilherme I aceitar todas as condições impostas pelo imperador francês, este último insistia que o rei deveria dar estas garantias e negociar pessoalmente ao embaixador Benedetti da França. O rei prussiano que anteriormente atendera a todas as reivindicações de
Napoleão III refutou (recusou) ter que negociar e dar novas garantias ao embaixador francês, Benedetti.
Em
Paris, a atitude do rei prussiano foi tida como uma ofensa ao orgulho nacional da França e ao povo francês - este foi o motivo da França de Napoleão III declarar guerra à Prússia.
Finalmente
França e Prússia entraram em guerra em 1870 e, logo a Prússia mostrou-se preparada o suficiente para encurralar a França em seu próprio território. Os franceses perderam em todas as frentes. O forte exército prussiano acumulava vitórias, como sucedeu na esmagadora vitória na batalha de Sedan (01 de Setembro de 1870) na qual o próprio imperador francês foi feito prisioneiro. No dia 20 desse mês, os prussianos cercavam Paris. Perante esta situação, o governo de Defesa Nacional (republicano, em funções desde 04 de Setembro, altura em que depusera Napoleão III) assinou a rendição. Na paz de Frankfurt (10 de Maio de 1871) a França, para além de pagar uma pesada indenização de 5 bilhões de francos para a Prússia, entregava o rico território da Alsácia-Lorena, de maioria germânica e rica em carvão, para o novo Império Alemão.
A vitória em
Sedan estimulou o nacionalismo no sul da Alemanha e os Estados germânicos ao sul do rio Main (Hesse, Baden, Baviera e Würtemberg) entraram na Confederação. A esses Estados, porém, foram garantidas certas autonomias, como, por exemplo, exército próprio em tempo de paz.
Com a integração desses Estados ao novo Reich (II Reich; pois o I Reich ou Sacro Império Romano-Germânico foi fundado por
Carlos Magno, rei franco, sucedido mais adiante por Oto I o Grande), completou-se a última etapa para a unificação alemã.

O progresso da Unidade alemã

Consequências da Unificação Alemã
A unificação dos Estados germânicos foi um evento que gerou inúmeras consequências, imediatas ou posteriores, em toda a
Europa e que foram responsáveis pela instabilidade no território europeu até a metade do século XX. É possível dizer que a unificação alemã foi um dos principais motivos para a eclosão da Primeira Guerra Mundial. A unificação da região de Alsácia-Lorena ao Segundo Reich Alemão gerou o revanchismo francês. Os franceses inconformados com a situação e com a humilhação provocada pelos alemães (como na coroação de Guilherme I no próprio Palácio de Versalhes, em território francês) mantiveram um sentimento de revanche que foi decisivo na política de alianças dos países europeus até quando eclodiu o conflito em 1914. Outro fator de influência para o surgimento do conflito foi a batalha dos países europeus por territórios na África e Ásia, no período conhecido como neocolonialismo. Os alemães, recém unificados, exigiam uma redivisão colonial nos continentes, o que aumentou a tensão entre as potências.

Modernização conservadora
As políticas domésticas de Bismarck foram de grande importância para a formação da cultura política autoritária do Império. O governo semi-parlamentar da Alemanha levou a efeito uma suave revolução econômica e política, de cima para baixo, que levaria o país a tornar-se a maior potência industrial do mundo à época.
Os industriais alemães começaram a ganhar fatias do mercado alemão, em detrimento dos exportadores britânicos e, por volta dos anos 1870, estes já percebiam a crescente competição da Alemanha e dos EUA nos principais segmentos nascidos da
Revolução Industrial.
Os objetivos políticos de Bismarck após a unificação podem ser resumidos da seguinte maneira:
·
Kulturkampf: após a incorporação dos estados católicos do sul e as terras anteriormente polonesas ao leste, o catolicismo, representado pelo Partido do Centro Católico, parecia ser a principal ameaça ao nacionalismo militar-aristocrático prussiano de Bismarck, pois os católicos eram vistos como devendo fidelidade ao papa, mesmo acima do Estado alemão. Os católicos do sul, provenientes de uma base agrária e das fileiras dos campesinos, artesãos, clérigos e da aristocracia dos estados menores, diferentemente dos protestantes ao norte, de início tiveram problemas para competir com eficiência frente à abertura comercial. Após 1878, a luta contra o socialismo uniria Bismarck e o Partido do Centro Católico, encerrando a Kulturkampf, que terminara por fortalecer o catolicismo na Alemanha.
· Reforma social: para conter a classe trabalhadora e enfraquecer a influência dos grupos socialistas, Bismarck concordou de maneira relutante em criar um Estado de
Previdência Social que faria os trabalhadores apoiar o nacionalismo alemão. A previdência social instituída por Bismarck era a mais avançada da época e perdura na Alemanha de hoje.
· Unificação nacional: Bismarck procurou reduzir as enormes diferenças entre os estados alemães, que haviam sido independentes por séculos, especialmente na área da legislação.
As histórias do
direito e sistemas judiciais completamente diferentes representavam um enorme obstáculo para a unidade nacional, especialmente na área do comércio. Embora um código comercial comum já houvesse sido promulgado pela Liga Alemã em 1861 (adaptado para o Império e ainda em vigor na Alemanha de hoje, com grandes modificações), em outras áreas do direito as leis eram muito diferentes.
Em 1871, promulgou-se um Código Criminal comum (Reichsstrafgesetzbuch); em
1877, leis de processo civil e criminal. Em 1873, a constituição foi emendada de modo a permitir a promulgação de um Código Civil comum que substituiria todas as leis civis em vigor nos estados. O Código Civil alemão (Bürgerliches Gesetzbuch ou BGB) entrou em vigor em 1º de janeiro de 1900, resultado de um imenso esforço de codificação que criou uma das obras legais mais impressionantes do mundo, ainda em vigor (com modificações).
Os efeitos da modernização conservadora são distintos, devido ao fato de haver procurado atender a anseios freqüentemente expressados por meio de revoluções sociais. Com o poder político permaneceu nas mãos da aristocracia, o governo procurou conservar as estruturas sociais tradicionais, tanto quanto possível, embora a base econômica dos proprietários de terras se reduzisse rapidamente frente à da
indústria. À unificação seguiu-se um longo período de governo conservador e mesmo autoritário.

Militarismo
Um dos subprodutos da modernização conservadora foi o
militarismo. Este foi utilizado para unir as classes dirigentes - tanto a aristocracia-militar como os industriais - em torno do projeto de continuar a modernização sem alterar as estruturas sócio-políticas. Cada estamento da elite encontrava vantagens na expansão ultramarina formal: os gigantescos monopólios queriam o apoio imperial para obter investimentos ultramarinos e afastar a concorrência estrangeira; os burocratas desejavam novas ocupações; os militares queriam ser promovidos; e a aristocracia tradicional, embora em declínio, desejava mais títulos formais.
Ao observar o surgimento do
sindicalismo, do socialismo e de outros movimentos de protesto no início da era da sociedade de massa na Europa e na América do Norte, a elite logrou empregar o imperialismo nacionalista para cooptar o apoio da classe trabalhadora industrial. O imperialismo propagava entre as massas virtudes neo-aristocráticas e instilava sentimentos nacionalistas. Com isto, a Prússia conseguiu criar uma máquina militar suficientemente poderosa para desafiar os rivais no continente europeu e mesmo para se fazer notar na arena internacional.
Os
advogados do imperialismo alemão argumentavam que o poder (inclusive militar) britânico conferia vantagens indevidas ao Reino Unido nos mercados internacionais, em detrimento da Alemanha. Ganhava evidência, também, o papel das colônias como mercado e fonte de matérias primas para as potências emergentes européias (como a Alemanha e a Itália). Esta associação entre tendências econômicas, de um lado, e o neocolonialismo e o militarismo, de outro, levou Bismarck, outrora relutante em envolver o seu país em aventuras ultramarinas, a reconhecer o valor político do colonialismo. As potências centrais absolutistas, lideradas por uma Alemanha que se industrializava rapidamente e cuja marinha havia dobrado de tamanho entre a Guerra franco-prussiana e a Primeira Guerra, representavam uma ameaça estratégica aos mercados e à segurança das potências aliadas e da Rússia. Os esforços coloniais da Alemanha a partir de 1884 renderam-lhe apenas um pequeno império ultramarino, comparado com os do Reino Unido e da França.
As iniciativas posteriores no campo da política externa (particularmente os planos para a construção de uma grande frota de guerra) levaram o Reino Unido a alinhar-se politicamente (a
Tríplice Entente) com uma aliança franco-russa que já se constituía no momento da queda de Bismarck.
O Império floresceu sob a condução de Bismarck até a morte do Kaiser, em março de
1888. Naquele ano, chamado Dreikaiserjahr ("Ano dos Três Imperadores"), Frederico III, filho e sucessor de Guilherme I, sobreviveu ao pai por apenas 99 dias, deixando a coroa ao jovem e arrojado Guilherme II, que forçou Bismarck a renunciar em março de 1890.

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