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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Revolução Francesa

A revolução francesa (1789-1799)

A Obra histórica da revolução francesa
A segunda metade do século XVIII foi um período de intensa agitação política, o antigo Regime recebia críticas e contestações de diversas naturezas e em vários lugares. É neste contexto que eclode a Revolução Francesa, para muitos o maior e mais importante de todos os movimentos revolucionários deste período.
Os acontecimentos iniciados na França em 1789, e que se constituíram em um dos fatos históricos mais estudados pela cultura ocidental, tiveram sua origem em tempos bem anteriores. Uma revolta popular com a intensidade da que ocorreu na França, não surge de um ano para o outro, e sim é fruto de muitas décadas de exploração excessiva, de empobrecimento constante e de injustiças sociais muito graves. Independente da organização burguesa para acabar com a Monarquia e instituir um governo onde fosse à classe dominante, o que se viu em 1789 foi uma mobilização em larga escala das classes populares, que englobava os trabalhadores urbanos, os desempregados e pobres em geral e os camponeses. Foi, como destacam muitos historiadores, uma revolução de toda a sociedade; o seu desfecho foi burguês, o movimento foi popular e as repercussões deste abalaram toda a Europa: "Se a economia do mundo do século XIX foi formada principalmente sob a influência da Revolução Industrial Britânica, sua política e ideologia foram formados fundamentalmente pela Revolução Francesa. A Grã-Bretanha forneceu o modelo para as ferrovias e fabricas, o explosivo econômico que rompeu com as estruturas sócio econômicas tradicionais do mundo não europeu, mas foi à França que fez suas revoluções e a elas deu suas idéias, a ponto de bandeiras tricolores de um tipo ou de outro terem-se tornado o emblema de praticamente todas as nações emergentes, e a política européia (ou mesmo mundial) entre 1789 e 1917 foi em grande parte a luta a favor e contra os princípios de 1789, ou os ainda mais incendiários de 1793. A França forneceu o vocabulários e os temas da política liberal e radical-democrática para a maior parte do mundo. A França deu o primeiro grande exemplo, o conceito e o vocabulário de nacionalismo. A França forneceu os códigos legais, o modelo de organização técnica e cientifica e o sistema métrico para a maioria dos países. A Ideologia do mundo moderno atingiu as antigas civilizações que tinham até então resistido às idéias européias inicialmente através da influência francesa. Esta foi a obra da Revolução Francesa". (HOBSBAWN, Eric. "A Era das Revoluções (1789-1848)". SP: Paz e Terra, 2001, p.71-2).
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A França no século XVIII
Uma combinação de desagregação do Feudalismo, crescimento econômico da burguesia, empobrecimento da nobreza, intensificação do Absolutismo e aumento da miséria do campesinato formavam o contexto social francês às vésperas do movimento de 1789.

As Questões Econômicas
A França vivia uma situação de decadência irreversível da economia feudal, mais não tinha ainda uma economia capitalista forte e bem estruturada. As propriedades feudais já não possibilitavam a sobrevivência da sociedade, o feudalismo francês tornava-se inviável por causa do aumento populacional e pelo fim das terras que podiam ser arroteadas. Devido à falta de condições para sobreviver no campo, muitas famílias mudavam para as cidades onde o comercio e as manufaturas ofereciam novas oportunidades de trabalho.
Mas apesar da falência do feudalismo, a nobreza recusava-se a mudar de vida. Não aceitava entrar para o comércio, como aconteceu com a fidalguia portuguesa, nem se interessava por desenvolver em suas terras atividades capitalistas, como fizeram os nobres ingleses. Os nobres franceses prendiam-se às velhas tradições que consideravam o trabalho uma atividade indigna para a sua condição social. Ainda viviam sob a ideologia medieval que dividia a sociedade entre “os que rezam (clero), os que combatem (nobreza) e os que trabalham (servos)”. Trabalhar era igualar-se aos servos.
Muitos nobres tiveram de vender suas terras e passaram a disputar com a burguesia os cargos públicos de prestigio. Essa parcela da nobreza vivia à custa do dinheiro público ou das doações que a população era obrigada a fazer à Igreja, aos senhores feudais e ao Estado.
Os senhores feudais que haviam conseguido manter suas terras exigiam de seus trabalhadores impostos abusivos, que condenavam os camponeses a uma situação de penúria extrema e de muita revolta. No século XVIII, o campesinato francês se sublevou inúmeras vezes contra os nobres e clérigos que possuíam feudos. Essa parte da nobreza sobrevivia da exploração do trabalho dos camponeses.
Paralelamente se desenvolviam as atividades capitalistas, sobretudo o comercio. Muitos comerciantes haviam enriquecido, mas a permanência de características do sistema feudal era um entrave ao desenvolvimento de suas atividades. O principal obstáculo eram as alfândegas internas, ou seja, os pedágios que os donos de feudos e a Igreja católica cobravam sobre as mercadorias que atravessavam suas terras. Essa sobretaxação tornava as mercadorias muito caras e dificultava o pleno desenvolvimento das atividades mercantis e industriais. A burguesia também pagava impostos ao Estado.
A burguesia percebia que as possibilidades de expansão de suas atividades eram barradas pelo peso fiscal representado pelo Estado absolutista, pela nobreza e pelo clero. Alem disso, por não possuírem direitos políticos, os burgueses não tinham nenhuma garantia sobre as suas propriedades. Havia sempre o risco de um confisco real.
Para os que viviam do trabalho, que eram pelo menos 80% da população francesa, a situação econômica estava muito difícil às vésperas da Revolução. Os camponeses eram, em sua maioria, pessoas livres, pelo menos juridicamente, mas as condições de trabalho e rendimento eram péssimas, ainda vivendo como servos. A dificuldade de conseguir trabalho nas cidades obrigava a permanência no campo; os donos de terras aproveitavam-se dessa circunstância para se exceder na cobrança de impostos. Dessa forma a situação econômica do campesinato pode ser caracterizada como abaixo da linha de pobreza.
Nas cidades os trabalhadores urbanos formavam um grupo mais desqualificado ainda do que os camponeses. Na estrutura da sociedade feudal não havia espaço definido para os trabalhadores urbanos que, embora crescendo significativamente durante o século XVIII, continuavam política e economicamente agregados à burguesia para quem trabalhavam. Eram um grupo social sem independência.
Na população urbana havia, também, um grande numero de pessoas sem ocupação fixa, normalmente oriundas do campo, de onde saíam porque não encontravam trabalho na lavoura ou apenas para tentar a sorte nas cidades. Durante o processo revolucionário, essa massa de desempregados que vagava pelas cidades, sobretudo por Paris, era facilmente mobilizada pelos discursos dos revolucionários mais radicais.

A organização social
A sociedade francesa estava organizada em três Estados, definidos pela origem (nascimento). A exceção eram as pessoas que entravam para a carreira eclesiástica e, por isso podiam mudar de estamento. Por exemplo: os filhos dos servos já nasciam servos, assim como os filhos dos nobres nasciam nobres, mas, em situações especiais, um jovem de origem humilde poderia se tornar um membro do alto clero – e, assim, mudar de condição social. Mas essa não era a regra geral, uma vez que os cargos mais importantes da Igreja Católica eram quase sempre ocupados por membros da nobreza.
A sociedade francesa era, portanto, dividida em estamentos, estados ou ordens. Nas ordens privilegiadas estava a aristocracia, formada pelo alto clero e pela nobreza, que eram isentos de quaisquer impostos, e representavam cerca de 4% da população francesa na segunda metade do século XVIII. Esses grupos eram totalmente refratários a idéia de perderem seus privilégios mantidos a centenas de anos. Juntos, Clero e Nobreza, na prática, eram sustentados pelo terceiro estado. Contudo, em meio a nobreza, existiam pessoas que eram “ardentes defensoras de reformas, nobres de toga, homens que haviam adquirido algum cargo judicial (daí a “toga”) que conferia um titulo de nobreza, bem como a oportunidade de acumular riquezas substanciais em terras e outras propriedades. incluíam-se nesse grupo homens talentosos e ponderados , como barão de Montesquieu, filósofo, o Conde Mirabeau, advogado, e o Marquês de Lafayette, estadista que acorrera ao auxilio as colônias americanas. Entre os nobres de toga haviam homens que viriam a desempenhar papel de relevo na própria revolução.”. (BURNS, op. cit. p. 485.)
Os restantes 96% eram considerados o Terceiro Estado, a plebe responsável pelo trabalho e pelo pagamento dos impostos que sustentavam o governo absolutista, o primeiro e o segundo estado. Na condição de terceiro estado eram classificados os burgueses enriquecidos com o comercio e as atividades financeiras, os camponeses que viviam do próprio trabalho, os artesões, pequenos proprietários de terras, trabalhadores urbanos, sans-culottes (pequena burguesia de Paris), militares de baixa patente e todos os que tinham origem plebéia. Os grupos urbanos eram protagonistas de várias insatisfações. A burguesia questionava o oneroso sistema tributário oriundo do mercantilismo governamental, bem como seus regulamentos de atividades, que obstaculizavam o desenvolvimento e a expansão de seus negócios. Havia uma tendência anti-mercantilista que predominava entre os comerciantes, financistas e industriais: Monopólios comerciais concedidos a companhias privilegiadas, interferência na sua liberdade de fazer negócios fora do pais, leis que controlavam os salários, fixação de preços, eram vistos como ações que se direcionavam apenas para a manutenção dos privilégios da corte.
O campesinato era a classe mais numerosa do terceiro estado e sua presença foi fundamental no processo revolucionário. A maior parte dos camponeses era constituída de pessoas livres, mas as relações feudais de produção continuavam a predominar. Sendo assim o fim da servidão não significou o fim dos impostos excessivos que condenavam os agricultores a entregarem à nobreza e ao clero a parte que era destinada à sua alimentação.
“Motivo importante da insatisfação dos camponeses eram os tributos que haviam sobrevivido ao fim do regime senhorial. (...) Uma das mais odiosas dessas obrigações era o pagamento de uma renda anual ao senhor que no passado havia controlado a terra. Outra era a doação ao nobre local de uma parte do valor recebido toda vez que se vendia um pedaço de terra. Além disso, os camponeses tinham que contribuir com as banalités ou taxas pelo uso de varias servidões de propriedade senhorial. (...) As mais exasperantes de todas as relíquias do feudalismo eram, provavelmente a Corvéia, e os privilégios de caça da nobreza. A Corvéia (...) havia-se transformado numa obrigação devida ao governo. (...) Ainda maiores inconveniências resultavam dos privilégios de caça dos nobres. Em algumas partes da França proibia-se aos lavradores a capina ou a ceifa na época da procriação, para não molestar os ninhos das perdizes. Coelhos, gralhas, e raposas não podiam ser mortos, apesar da devastação que faziam nas searas ou entre as aves domesticas ou animais novos. Além disso, o camponês devia conforma-se em ver seus campos pisoteados , em qualquer tempo, pelos cavalos de um despreocupado bando de nobres caçadores. (...)
(...) Durante o século XVIII eles se viram também prejudicados pelo fechamento crescente de terras antes publicas e comuns. As terras deixadas de pousio, bem como aquelas que só raramente se cultivavam, eram consideradas comuns , e quem desejasse podia levar o gado a pastar ali. Essas terras comuns, encontradas mais no oeste da França, representavam um recurso importante para os camponeses. Além do já mencionado direito a pastagem, eles desfrutavam o de apanhar lenha e de respingar os campos cultivados após a colheita. Agora, os conselheiros econômicos do Rei – Charles Calonne, Lomenie de Brienne e Jacques Necker – declaravam serem esses direitos coletivos obstáculos ao progresso da agricultura. Ansiosos para aumentarem seus rendimentos mediante a elevação da eficiência de suas propriedades, os latifundiários concordavam. O resultado foi a autorização, pela coroa, da divisão das terras comuns e seu fechamento como propriedade privada. Assim, os camponeses se viam pressionados de um lado a reconhecer as obrigações de um obsoleto sistema senhorial, e por outro a aquiescer com as exigências do moderno capitalismo agrícola, ao mesmo tempo em que pagavam impostos dos quais seus vizinhos aristocratas estavam isentos.”. (BURNS, op. cit. p. 486-488.).


A situação política
A França era uma Monarquia Absolutista, em que o poder do rei era justificado pelo Direito Divino. O Estado Absolutista Francês criou a contradição que em grande parte foi responsável pela sua destruição: promoveu um expressivo enriquecimento dos comerciantes, mas manteve certas estruturas feudais – como os pedágios em solo francês – que impediam o pleno desenvolvimento das atividades capitalistas .
Ainda podemos atribuir à Monarquia a falência das finanças publicas, observada nas duas décadas que precederam a Revolução. A estrutura do Estado era antiquada,onerosa, pela necessidade de sustentar a corte e muitos palácios da família real. As despesas não eram reguladas pela receita, e sim a receita era regulada pelas despesas. Ou seja, cobravam-se impostos de acordo com os gastos, quando o razoável é gastar aquilo que foi arrecadado.
“(...) a estrutura de governo da França não era nem lógica, nem sistemática. Reinava a confusão em quase todos os setores, sendo isso resultado de um crescimento longo e um tanto irregular da máquina burocrática que remontava a idade média. De quando em quando, eram criados novos órgãos, a fim de atender a alguma necessidade especifica, muitas vezes sem levar em conta os que já existiam. Consequentemente, havia grande superposição de funções e inúmeros funcionários inúteis recebiam vencimentos do erário publico (...)”. (BURNS, op. cit. p. 484.)
Para agravar esse peso econômico representado pela corte, pelo funcionalismo publico e pelos gastos descontrolados, a França se envolveu na Guerra de Independência dos Estados Unidos. A luta contra a Inglaterra colocou as finanças publicas em situação de ruína.
“A Inglaterra e a França tinham estado em conflito a maior parte do século XVIII. Em todas as guerras entre eles, com exceção de uma, a França tinha sido derrotada e pagara essas derrotas com a cessão de colônias . Por ironia, era a guerra que os franceses haviam ajudado a ganhar – a guerra de independência americana – que agora acarretava os problemas mais prementes. As despesas incorridas para manter esquadras e exércitos no hemisfério ocidental haviam sido particularmente pesadas, exigindo grandes empréstimos. A conseqüência foi uma dívida nacional que o governo francês ineficientemente burocrático, verificou que não podia suportar, embora não fosse maior que a deixada por Luís XIV em 1714 e representasse cerca da metade da dívida dos ingleses. Luis XVI pressionou seus conselheiros no sentido de criarem novos métodos de contenção das despesas e de tributação, a fim de manter o governo à tona. No entanto, esses homens, bem como o Rei, reconheciam que nada podiam fazer, a menos que, por milagre, lograssem induzir o Clero e a Nobreza a abrir mão dos antigos privilégios que lhes permitiam esquivar-se ao pagamento de uma parcela eqüitativa dos impostos nacionais”. (BURNS, op. cit. p. 484.)


A eclosão da revolução (1789)
Havia um clima de revolta quando o ministro do rei resolveu convocar uma reunião dos Estados Gerais para maio de 1789. Os Estados Gerais eram a Assembléia representante dos grupos sociais (clero, nobreza e terceiro estado). Sua função era discutir os problemas nacionais, mas basicamente não existiu durante o período do Absolutismo, uma vez que não se reunia desde 1614. A convocação foi uma tentativa do governo de solucionar a crise, uma verdadeira confissão real da impossibilidade de solucionar os problemas nacionais.
A nobreza e o clero acreditavam que controlavam a Assembléia porque o sistema de votação definido pela lei estabelecia um voto para cada estado. Sendo assim, a nobreza teria um voto; o clero um voto; o povo um voto. Como os dois primeiros estados defendiam os mesmos interesses, sua vitória estaria garantida. Mas o terceiro estado exigiu que a votação fosse nominal, tendo cada estamento um numero representativo de deputados. Por esse sistema ele teria a maioria dos votos.
Percebendo o rumo dos acontecimentos, o rei tentou barrar a entrada dos deputados na Assembléia. Revoltados, os representantes do terceiro estado invadiram um salão destinado a um esporte da nobreza, o jogo de péla, onde juraram se manter reunidos até concluírem uma nova Constituição. Era o dia 20 de junho de 1789, e o Juramento do jogo de Péla é considerado o marco inicial da Revolução Francesa pelos historiadores.
No dia 9 de julho, a Assembléia dos Estados Gerais se auto-proclamou Assembléia Nacional Constituinte e começou a elaborar uma nova Constituição para a França. Observe que, até esse momento, não havia uma intenção declarada de pôr fim à monarquia.

O dia 14 de julho de 1789
Luis XVI procurou ganhar tempo enquanto as suas tropas cercavam Paris. Na capital o ambiente de tensão se agravava e no campo as revoltas camponesas se intensificavam. No dia 14 de julho, tomou conta de Paris o boato de que os canhões da Bastilha estavam todos preparados para bombardear a cidade. A reação dos parisienses foi imediata: invadiram um deposito de munição e, armados, correram para a Bastilha. O cerco durou perto de quatro horas ao fim das quais o comandante da prisão percebeu que a queda era inevitável. Foram os próprios guardas que abriram as portas da fortaleza permitindo a entrada dos revoltosos e a saída dos prisioneiros.
A Bastilha era uma prisão-fortaleza, onde eram aprisionados os condenados por crimes políticos. Esse episódio, conhecido como a Queda da Bastilha, tem sido apontado como o acontecimento inicial mais importante da Revolução Francesa pelos historiadores.

O processo revolucionário
De uma maneira geral, se aceita uma periodização para o processo revolucionário que obedece aos seguintes critérios e características:

a) Monarquia Constitucional (1789-1792) — Esta fase inicia-se a partir do momento em que um impasse entre os deputados reunidos nos Estados Gerais (Assembléia formada por representantes dos três estados ou ordens, e que devia deliberar sobre o déficit público e a questão fiscal), leva à formação da Assembléia Nacional Constituinte (1789-91). Esta é caracterizada pela tentativa de conciliação entre os interesses da alta burguesia e da nobreza progressista e “liberal”. Tinha por objetivo limitar o poder monárquico, excluir as massas populares de participação política e instaurar um Estado segundo os princípios do liberalismo. Dentre as principais medidas levadas a efeito pela Assembléia, destacam-se: abolição dos privilégios feudais (com indenização), Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, confisco dos bens da Igreja, elaboração de uma Constituição Civil do Clero e, finalmente, promulgação da Constituição de 1791. O texto constitucional estabelecia que a França passava a ser urna Monarquia Constitucional, com o poder monárquico limitado por uma Assembléia Legislativa.
O agravamento da crise econômica, as possibilidades de uma contra-revolução aristocrática interna e a ameaça estrangeira (estimulada pelo próprio rei e pela nobreza emigrada), além da insatisfação com o critério censitário da Constituição, que dividira os cidadãos em ativos (os que têm renda ALTA e, por conseqüência, direitos políticos) e passivos (sem direitos políticos), determinaram o aprofundamento e a radicalização do processo revolucionário.

b) Convenção Nacional (1792-1795) — Fase marcada pelo aumento das pressões populares e pelo radicalismo das posições políticas. A Convenção Nacional, eleita por sufrágio universal, decreta a extinção da Monarquia e a proclamação da República (setembro de 1792). Inicialmente, o controle da I República esteve nas mãos dos Girondinos, corrente política que expressava as aspirações da grande burguesia (armadores, banqueiros, “industriais”, grandes proprietários). O período da República Girondina se estende de setembro de 1792 a junho de 1793 e não consegue fazer frente às necessidades do país. Inseguros na condução da guerra contra o estrangeiro (potencias absolutistas), incapazes de debelar a especulação e os altos preços, as lideranças girondinas, pressionadas pelos “sans-culotes”, são derrubadas. A partir de então o domínio político passa para os “Montanheses”, cuja principal corrente política era representada pelos Jacobinos (representantes da pequena burguesia, com tendências radicais e de esquerda e que tinham o apoio dos “sans-culottes”).
A República Jacobina (2 de junho de 1793 – 27 de julho de 1794), com Robespierre à frente, instaura um governo “revolucionário até a paz”. Atendendo às pressões populares impõe o “Terror”, institui um Tribunal Revolucionário e uma nova Constituição (de 1793) estabelecendo o sufrágio universal. A república jacobina aprofunda e radicaliza o processo revolucionário adotando, dentre outras, as seguintes medidas: abolição da escravidão nas colônias, obrigatoriedade do ensino público e gratuito, “lei do maximum” (tabelando num teto máximo preços e salários), confisco dos bens da nobreza emigrada, fim da obrigatoriedade dos camponeses indenizarem os antigos senhores e reforma agrária. Enquanto o poder legislativo era exercido pela Convenção Nacional, o poder executivo estava a cargo do Comitê de Salvação Pública, presidido por Robespierre, e que exercia o poder de fato. A política jacobina elimina as possibilidades de uma contra-revolução aristocrática interna, ao mesmo tempo em que, graças à organização de um exército revolucionário e popular, liquida com a ameaça estrangeira.
A 27 de julho de 1794 (09 do Termidor, segundo o calendário revolucionário), um golpe liderado por setores da alta burguesia, amedrontada com a crescente radicalização do processo revolucionário e com os “excessos do Terror”, põe fim à experiência democrático-igualitária dos Jacobinos. A partir de então, a Revolução, com os “termidorianos” à frente, entra em retrocesso e esvaziamento de seu caráter mais democrático e radical.

c) Diretório (1795-1799) — Fase assinalada, no plano interno, pela anulação das conquistas populares mais expressivas do período anterior e, no plano externo, por uma dependência cada vez maior do regime em relação aos sucessos militares do Exército. A instabilidade política interna, o agravamento da crise econômica e das tensões sociais, torna o governo do Diretório (organizado segundo os critérios da Constituição de 1795) cada vez mais dependente do poder militar. À. burguesia francesa interessava, agora, evitar a contra-revolução aristocrática e a ameaça dos Jacobinos e dos “sans-culottes”. Ao mesmo tempo, era necessário estimular a expansão econômica. Assim, a 18 de Brumário (novembro), o principal general do Exército, Napoleão Bonaparte, contando com o apoio de expressivos setores da alta burguesia e dos meios militares, sem resistência, derruba o Diretório e assume o poder pessoal. Estava liquidada a Revolução e abria-se o caminho à instalação da ditadura bonapartist

ESQUEMA DA AULA
A revolução francesa (1789 – 1799)
01. Importância Histórica:
· Movimento de massas (camponeses e trabalhadores urbanos);
· Direcionamento burguês;
· Revolução “ecumênica” (supranacional) – Européia e mundial.
02. Fatores:
· A crise econômica e social francesa (origens):
- Crescimento populacional X baixa produtividade.
- Privilégios sociais da nobreza (rendas, cargos públicos [cortesãos]).
- Super-exploração feudal (SOBRE OS CAMPONESES).
- Extorsão tributaria (SOBRE A BURGUESIA) – Entrave ao desenvolvimento capitalista.
· A estrutura social: Sociedade Estamental.
- Grupos (interesses):
* Primeiro estado: clero / Segundo estado: nobreza: 4% da população – ausência de impostos, acesso ao tesouro publico, grandes proprietários (manutenção da estrutura social e econômica).
* Terceiro estado: 96% da população -
Burgueses ricos (comerciantes, financistas, industriais);
Artesãos, trabalhadores assalariados, “sans-cullotes”, militares de baixa patente;
Pequenos proprietários de terra;
Camponeses;
(Fim dos privilégios feudais, supressão do mercantilismo e direitos políticos).
“O que é o terceiro estado? Tudo!!!; o que ele tem sido? Nada!!!; o que ele quer ser? Alguma coisa!!!” (Abade Sieyés..)
· A situação política: Estado absolutista de direito divino;
- Crise financeira do Estado: crescimento da burocracia, guerras com a Inglaterra.
- Difusão do Iluminismo: aprofundamento das criticas ao Estado absolutista.

03. A eclosão da Revolução:
· 1789: Convocação dos estados gerais.
· Divergência: Voto por estado (Rei, Nobreza e Clero) X Votação nominal (burguesia).
· Desdobramentos:
- Assembléia constituinte;
- Queda da bastilha;
- Revolta camponesa (fuga de aristocratas).






04. O processo revolucionário: fases.
FASES
Monarquia constitucional (1789 – 1792)
- Predomínio da burguesia e nobreza liberal: abolição dos privilégios feudais, Declaração dos direitos do homem e do cidadão, constituição civil do clero e constituição de 1791 (Voto censitário).
- Tentativa de fuga de Luís XVI.
Convenção Nacional(1792 – 1795)
- Organização da convenção e Proclamação da República.
- Divisão política:
GIRONDINOS (1792-93): alta burguesia (aumento dos preços, guerra contra os absolutistas e execução de Luís XVI).
JACOBINOS (1793-94): vitórias militares externas, “terror”, constituição de 1793 (voto universal), reforma agrária.
TERMIDOR (1794-95):
Retorno da alta burguesia: anulação das reformas democráticas e sociais.
Diretório(1795 – 1799)
- Constituição de 1795 (voto censitário).
- Sucessos militares externos.
- Instabilidade interna: conspiração dos iguais (Babeuf).
- Aliança entre alta burguesia e Exército: Golpe militar (ascensão de Napoleão Bonaparte).






ABRAÇO E BOM ESTUDO PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!!

3 comentários:

  1. Professor, o que leva uma pessoa a gostar de história, e fazer este post enorme, que poucas pessoas vão realmente ler?
    Só fanaticos por história, igual a minha professora...

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  2. Guilherme,
    Sou professor de História, esse é o meu trabalho. Para mim pouco importa se poucas pessoas irão (Na realidade isso que vc diz é totalmente real, porque, infelizmente, a leitura não é um hábito muito cultivado em nossa sociedade).
    Contudo, o que interessa mesmo são os poucos interessados que estão lendo e o meu prazer pessoal em escrever e transmitir conhecimento. No mais, fico agradecido pela sua atenção e preocupação. Um forte abraço, Sérgio Cabeça.

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  3. Primeiro eu gostaria de falar que amo história, não tem nada mais fascinante.
    Eu li,e me ajudou bastante no meu dever...(:
    Essas poucas pessoas que irão ler esse post, não devem ser tratadas como se não existissem, porque existem.
    E são elas que irão se destacar no futuro ( ou ate mesmo no presente ), das que passam por um post desses, de tamanha importância e não o lê.

    Obg pelo post =D

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