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quarta-feira, 2 de março de 2011

Integrado e Integrado EJA

Introdução ao estudo da Historia

01. Para que serve a História?
A História como ciência cumpre um papel relevante nas sociedades. Através dela encontramos referências que nos permitem planejar nossa atuação presente e futura. O texto que se segue é uma tentativa de traçar o caminho percorrido pela História até o final do último século.
Ao intentarmos a realização do objetivo que nos propomos, temos em mente alguns princípios que nos enunciam uma definição do que seja a história cientifica e de sua importância nos cenários em que estamos inseridos. O primeiro desses princípios é o de que não é possível se escrever uma história marcada pelas ideias de isenção e neutralidade. Nesse sentido, queremos mesmo afirmar que toda história cientifica é subjetiva. A razão para isto reside em um motivo de fácil compreensão, pois todo historiador que se debruça sobre o passado humano o faz com um olhar que é essencialmente o olhar do presente. Desde a escolha do tema até a construção de um trabalho historiográfico, o historiador faz opções que são decididamente influenciadas por sua visão de mundo (suas verdades, seus preconceitos, suas empatias, seus interesses sociais e políticos, a cultura que está por trás da sua formação, sua personalidade, entre vários outros aspectos) e percebendo isso se deduz que toda história é uma construção cultural[1]. Outro principio fundamental para a definição da história e suas possíveis aplicações é ter em mente o dimensionamento existente entre o trabalho do historiador e os aspectos da temporalidade e espacialidade. Costumamos afirmar que existem três categorias definidoras da história: Homem, Tempo e Espaço. Por humana, a história trata daquilo foi construído pelos seres humanos individualmente e coletivamente. Por temporal, a construção humana está inserida no tempo e é resgatada a partir da interatividade entre passado e presente. Por espacial, a História ocorre em espaços geográficos que sofrem a intervenção humana. Não podemos perder de vista outros aspectos relevantes a uma definição de ciência histórica: o conhecimento histórico não é estático e como tudo que circunda a vida humana ele está em permanente construção. Esse aspecto acentua-se ainda mais com a cada vez mais rápida evolução tecnológica que processa nos dias de hoje. Além disso, história talvez seja a mais interdisciplinar das ciências, porque em seu trabalho o historiador se apropria o tempo inteiro da produção cientifica de outros ramos do conhecimento humano o que nos possibilita a adjetivação da História como ciência síntese.
Ao enunciarmos os princípios acima, tínhamos em mente a construção de uma definição do que seja a história e de algumas das suas possibilidades de utilização, passemos, portanto, a este segundo momento. Começamos essa definição, por mais estranho que possa parecer, pela afirmação de que não existe a História. Bom, nunca é demais lembrar que acreditamos em uma história subjetiva, portanto, individual. Partindo desse principio, o que não existe é a verdade histórica absoluta. Existem Histórias que são escritas sob olhares muitas vezes convergentes e divergentes em vários pontos e isso acontece sem que a ciência deixe de ter seu rigor e seus critérios – o tratamento dado às fontes históricas é rigoroso, embora essas mesmas fontes possam ser bem diferenciadas de acordo com os rumos que o historiador define para sua construção historiográfica. Considerando esses pressupostos e as características que atribuímos ao conhecimento histórico, definimos a História como uma ciência que se dedica a resgatar a ação humana no tempo e em múltiplos espaços, sem deixar de acreditar na relevância que outras definições por ventura possam ter. Ao mesmo tempo, ressaltamos que a importância da História como conhecimento poderá variar de acordo com a empatia que cada grupo social ou até indivíduos possam nutrir pelo resgate do passado. Isso não altera a relevância do estudo da História porque ele se faz essencial no processo de construção da nossa própria visão de mundo já que se não existe uma História sem uma visão de mundo que conduza sua construção, tão pouco os atores sociais terão visão de mundo sem conhecimento histórico. Nesse sentido, o conhecimento histórico é indispensável em qualquer das atividades humanas e ele se materializa não somente na produção historiográfica como também na realização prática e cotidiana das atividades humanas. Isto posto vamos agora contar uma história da História e, com ela, poderemos pensar como esse conhecimento, na medida em que foi gestado, foi também utilizado em diversos momentos da História.
A forma mais aceita e comumente usada apresenta a historiografia dividida em três fases distintas como mostra o seu próprio processo histórico: a fase pré-científica engloba as historiografias Grega, Romana, Cristã - medieval e Renascentista; a fase de transição, em que se destacam as historiografias Racionalista ou Iluminista, Liberal e Romântica e, finalmente; a fase científica em que temos o Positivismo, o Historicismo e o Materialismo Histórico, no século XIX, a escola dos Annales e a História Nova no século XX.
O processo histórico tem início na Grécia com Heródoto de Halicarnasso que em pleno século V a.C, realiza as primeiras tentativas de investigação do passado, eliminando tanto quanto possível, o aspecto mitológico. A história começa a abandonar o estudo das "coisas divinas" e começa a preocupar-se com as "coisas humanas". Além de Heródoto, a historiografia grega contou com outros personagens importantes dentre eles destacam-se, principalmente, Xenofonte e Tucídides (ouvinte/expectador de Heródoto). Tucídides destaca–se pela maneira como afronta os métodos de Heródoto procurando escrever de maneira mais criteriosa sobre os eventos acerca dos quais se debruçou: “(...) usa mais seletivamente a sua informação. Seu principal objetivo era compreender o motivo das ações dos atores, por isso o interesse pelos discursos. Quando as palavras não tinham sido preservadas, como em geral acontece, ele registrava simplesmente o que na sua opinião os atores teriam dito naquelas circunstancias. A famosa oração fúnebre de Péricles, no ano 430 a.C. é ao mesmo tempo uma obra-prima de um presumido discurso e também um exemplo típico das reconstruções de Tucídides” [2].
Com a formação do Império Romano, o modo grego de ver a história é aperfeiçoado. Destacam-se como historiadores: Tito Lívio, Tácito, Suetônio, Sêneca e Júlio César (descrições de campanhas militares e aspectos culturais de povos subjugados). Contudo, talvez o grande arquiteto da História romana tenha sido Políbio: “representa um traço de União entre a historiografia grega e a romana. Nas suas Histórias, um total de 40 livros dos quais somente 05 sobreviveram integralmente, narra a conquista do mundo conhecido por Roma (220-167 a.C), tentando mostrar como foi possível a Roma conquistar esse amplo território em apenas 50 anos. Procura ser objetivo, mas pretende também ensinar aos generais e estadistas, e ao leitor comum dar uma lição moral. Explica o sucesso da expansão romana por uma combinação de boas instituições, de homens de grande valor e uma serie de circunstâncias felizes. A história romana foi concebida segundo a visão de Políbio, como relato objetivo de acontecimentos relevantes, para a educação cívica e moral dos romanos”.[3] 
Com o advento da Idade Média a historiografia passa a apresentar relações teológicas que lhe imprimem um caráter providencialista, apocalíptico e pessimista. Deus passa a estar no centro das preocupações humanas, é o Teocentrismo. A preocupação dos estudiosos passa a ser a justificação da vinda do filho de Deus ao Mundo. Além disso, a história passa a ser vista como uma trajetória do homem em direção a Deus tendo como condutor a Igreja católica, em suma, uma história teológica.
A chegada do Renascimento introduz grandes alterações na historiografia, tornando-se de novo o homem o objeto de estudo. Assiste-se a um ressurgimento da herança cultural da Antiguidade Clássica, acompanhado de um desenvolvimento muito sensível das ciências auxiliares da História, como, por exemplo, a Arqueologia e a numismática. A história escrita na época do renascimento revitaliza muitas das características preconizadas pela historiografia romana antiga. Dentre elas ressaltamos: a história como orientadora para uma conduta cívica em acordo com as instituições de sua época (e essa é a época da formação das monarquias absolutistas europeias) e como palco para a ação de homens notáveis (generais, reis, papas, homens de negócios). O exemplo mais prático e utilitário dessa historiografia é a obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, que se mostra, ao mesmo tempo, uma obra de História e enunciadora de princípios políticos.
O período que antecede e acompanha a Revolução Francesa vai ser caracterizado, entre outros aspectos, pela filosofia das luzes (o Iluminismo) que encontra em Voltaire, Montesquieu e Jean Jacques Rousseau seus mais renomados defensores. Como é óbvio concluir, o iluminismo irá reorientar o estudo da História passando a se atribuir mais importância ao conhecimento das sociedades do que propriamente das grandes personalidades. A historiografia Liberal e Romântica (filha do Iluminismo) que surgirá na sequência da expansão do pensamento liberal na Europa do século XIX irá debruçar-se sobre o Homem e as sociedades. Apresenta como características o fato de ser eurocêntrica e ufanista, saudando a vitória do liberalismo e da burguesia como as mais sublimes realizações de uma Europa superior e racional. Mas o século XIX daria luz a outras historiografias.
 Com Auguste Comte são lançadas às bases do Positivismo, a primeira grande tentativa de se aplicar os princípios das ciências naturais ao estudo da evolução das sociedades humanas. Assim, Institui-se um método que ainda hoje é, na sua essência, utilizado a fim de afirmar a ideia de que o resgate do passado humano não é subjetivo e sim objetivo e imparcial. O papel do historiador passa a traduzir-se na pesquisa dos fatos (pesquisa particularmente cuidada) e na sua organização progressiva, fazendo a sua exposição através de uma narrativa tão impessoal quanto possível. O historiador Leopold Ranke foi um dos grandes seguidores do pensamento historiográfico positivista. Ao afirmar sua preocupação em relatar, segundo critérios estabelecidos, os fatos tais como aconteceram, sem a pretensão de interpretá-los, reforçava a possibilidade de uma História neutra e imparcial.
O século XIX teve enorme importância para o conhecimento histórico, já que nele não só esse campo de conhecimento ganhou caráter cientifico e foi aceito no mundo acadêmico como ocorreram às turbulências decorrentes das expressivas mudanças econômicas e sociais que marcaram aquela época. Não é por acaso, portanto, que surge nesse momento o pensamento de Karl Marx e Friedrich Engels, analisando as contradições da sociedade capitalista e as possibilidades de uma revolução socialista. O marxismo deu contribuições decisivas para o aprofundamento da sociedade da analise histórica, ressaltando a luta de classes e a influencia da economia na construção das relações sociais. Até hoje, apesar de todas as mudanças ocorridas, os autores marxistas ocupam lugar de destaque na produção historiográfica, influenciando as interpretações presentes em muitos livros didáticos. Sua critica ao capitalismo e sua compreensão da História como processo dialético são constantemente retomadas pelos historiadores, sem falar na importante colaboração política desses trabalhos na luta contra os desequilíbrios sociais.
Na primeira metade do século XX, os historiadores franceses ligados à famosa Escola dos Annales promoveram mudanças significativas na maneira de pensar e escrever a história, as quais continuam ainda hoje em evidencia, causando polemicas. Marc Bloch, Lucien Febvre e Fernand Braudel são considerados os maiores responsáveis por essas mudanças, embora muitos outros tenham contribuído para que a História firmasse novas formas de interpretação preocupadas com as estruturas, as manifestações culturais e a relação com os outros ramos do saber, tais como a sociologia, a economia, a demografia e a antropologia.
A nova história, tributária da Escola dos Annales, ocupou, por sua vez, um espaço importante nas universidades e conseguiu também penetração expressiva no mercado editorial, sobretudo na França. Historiadores como Jacques Le Goff, Georges Duby, Marc Ferro e tantos outros tornaram-se conhecidos na mídia. A nova história, com uma linguagem próxima da literatura, sem o peso formal da linguagem acadêmica, conquistou um público amplo, constituído não apenas por historiadores. O campo das pesquisas foi ampliado, livrando-se de preconceitos, quebrando conceitos. Atualmente costuma-se dizer que tudo é História, e não apenas os feitos dos heróis, as grandes batalhas, as tramas das elites. Defende-se hoje a ideia de que a historia é uma tarefa coletiva, construída no cotidiano, e que, portanto, o oficio do historiador é dar conta da diversidade que resulta do pensar, sentir e agir de todos os homens.

02. O Tempo como uma construção cultural – as várias noções de tempo
Quem estuda historia fatalmente se depara com a noção de tempo. Embora ainda seja comum a noção de que o historiador se preocupa apenas com o passado, a compreensão do tempo histórico não deveria estar limitada apenas a sua linearidade (passado – presente - futuro) porque isso seria uma mera simplificação. Ver a história como uma simples sucessão de fatos, causas e consequências, que se encadeiam mecanicamente e sequencialmente, empobrece a analise. O passado não está morto, ele interfere no tempo presente. Há povos que não se projetam no futuro, que estão presos a tradições seculares, que na sua linguagem expressam uma forte ligação com as origens de sua História. Daí dizermos que a maneira de organizar o tempo é uma invenção cultural.
É na relação entre a sociedade e a natureza que encontramos uma das formas de construção da temporalidade. Uma sociedade dominada pela agricultura tem estreitas ligações com as mudanças culturais: o dia e a noite, as estações do ano, a fecundação e tantos outros fenômenos naturais servem como referencia para dimensionar a passagem do tempo. Os homens precisam ter uma ideia de duração temporal para organizar as suas relações sociais e sua vida cultural. Quando afirmamos que os homens e a sociedade tem um passado, um presente e um futuro, estamos expressando uma concepção de tempo, que revela marcas de uma cultura.
Além disso, há uma dimensão subjetiva do tempo que não podemos ignorar. O tempo objetivo é o tempo do calendário, com a mesma validade para todas as sociedades: dias, meses, anos, década, século, milênio – um tempo cronológico e matematicamente mensurável. Diferentemente deste, há um tempo mediado pelas emoções e ansiedades de cada um, capaz de provocar a sensação de que o dia dura muito mais, ou menos, que vinte e quatro horas de relógio. Nesse caso, há uma diversidade temporal infinita, que varia de acordo com o estado emocional de cada pessoa.
A periodização da história é usada para facilitar o entendimento das diferenças entre as épocas; entretanto, ela deixa lacunas, já que não consegue dar conta dos inúmeros aspectos da história, terminando por privilegiar certos acontecimentos ou dimensões delas. Quando, por exemplo, afirmamos que a idade contemporânea se inicia com a revolução francesa estamos enfatizando a importância desse fato político.
O tempo histórico, ao levar em consideração as especificidades de cada formação cultural não é único nem uniforme. O índio que vive no Xingu, o executivo de uma empresa financeira, a criança que está sendo alfabetizada em uma cidade do interior do Norte do Brasil e a artista que vive em uma comunidade de pescadores e procura pintar um grande mural sobre a velocidade na sociedade industrial existem simultaneamente. Estabelecer as relações temporais entre as experiências humanas constitui uma das tarefas do historiador – tarefa sempre sujeita a polemicas, divergências.

Referencias
JAGUARIBE, Hélio. Estudo crítico da História I. São Paulo, PAZ E TERRA, 2001.

REZENDE, Antônio Paulo e DIDIER, Maria Thereza. Rumos da História. São Paulo, Atual, 2001.

Exercícios propostos
01. O termo História possui diversos significados o que, sem dúvida, denota a importância da explicação e da compreensão temporais nas nossas vidas. De acordo com essa afirmação, define-se História como:
I. O desenrolar da vida dos homens no tempo. O processo de construção, criação e recriação das diversas formas de vida humana.
II. O estudo da relação que os homens do tempo presente têm com o passado, de maneira que possam se posicionar quanto ao que deva ou possa ser transformado, mantido ou criado na construção do futuro.
III. O relato de acontecimentos que se faz numa sequência temporal (Ex: a história de Chiquinha Gonzaga, a história dos índios Ianomami, a história da Paraíba, etc.).
Está(ão) correta(s):
a) apenas I           c) apenas II                          e) todas
b) apenas III         d) apenas II e III

02. Leia atentamente:
"A História é a disciplina que se refere aos homens, a tantos homens quanto possível, a todos os homens do mundo enquanto se unem entre si em sociedade, e trabalham, lutando e se aperfeiçoando a si mesmos”. (Antônio Gramsci, político e filósofo italiano).
A leitura do texto nos permite concluir:
a) a História busca, apenas, o aperfeiçoamento técnico das sociedades, a partir da escrita e do uso controlado do fogo.
b) a História se preocupa, exclusivamente, com as sociedades que evoluíram sob o ponto de vista tecnológico.
c) a História busca todas as sociedades que foram capazes de dominar as intempéries e os problemas relativos aos seus membros.
d) a História constrói-se através do trabalho conjunto dos homens em sociedade.
e) o historiador localiza e interpreta os grupos sociais civilizados, excluindo-os das comunidades primitivas.

03. Segundo o historiador Fernand Braudel, “o historiador não sai jamais do tempo da história: esse tempo agarra-se ao seu pensamento como a terra à enxada”.
Da leitura dessa frase depreende-se que:
a) o historiador tem dificuldade de compreender seu próprio tempo, pois não consegue ser neutro e imparcial.
b) o tempo presente obscurece a explicação do passado histórico.
c) a historiografia á capaz de compreender o passado na sua totalidade, visto que o historiador domina os processos de explicação da temporalidade humana.
d) as transformações sociais são objeto da Sociologia e o passado é objeto da História.
e) o trabalho de interpretação do historiador acerca das ações humanas está impregnado pela construção de temporalidades.

04. A História é uma das áreas do conhecimento mais polêmicas. Pode-se atribuir este caráter, à História, porque, em sentido genérico, todos somos historiadores e, por outro lodo, porque o acontecimento histórico é passível das mais diferentes interpretações. Sendo assim, analise as proposições identificando as verdadeiras.
I - No período de crescimento, a criança e o adolescente, através da convivência social, da escola e da cultura, formam de maneira quase natural uma visão do passado, do presente e do futuro. Constroem assim uma visão histórica, em ressonância com o que seu grupo social ensinou-lhe.
II - A História, apesar de ser alvo de muitas polêmicas, estabelece verdades comprovadas, que têm como base os documentos. Por essa razão, é correto admitir, como fazem todos os autores, que a história da humanidade só se inicia com o uso da escrita.
III - A História de um saber científico e, portanto, não muda. Podemos comprovar que aquilo que aprendemos, muitas vezes, são verdades inquestionáveis através dos séculos. Essa característica da História garante-lhe um lugar entre as demais ciências.
IV - Todos aqueles que defendem a História como um conhecimento passível de muitas interpretações, contribuem para fortalecer a ideia de que a História é um conhecimento certo e verdadeiro, construído a partir de documentos que não deixam margem a dúvidas.
V - O bombardeio atômico sobre as cidades japonesas em 1945, embora seja um fato inegável paro alguns historiadores, significou um genocídio injustificável; para outros, foi um ato necessário para evitar o prolongamento da II Guerra, o que revela o caráter interpretativo da História.

05. Para Fernand Braudel a “História é ciência do passado e do presente, um e outro inseparáveis”. Outro historiador, Peter Burke, lembra que “por mais que lutemos arduamente para evitar os preconceitos associados à cor, credo, classe ou sexo, não podemos evitar olhar o passado de um ponto de vista particular”. Já Edward H. Carr conceitua a História como “um processo contínuo de interação entre os historiadores e seus fatos, um diálogo sem fim entre o presente e o passado”. Com auxílio do texto, julgue os itens seguintes, Identificando os verdadeiros.
I - Segundo os autores citados, o passado histórico tem vida própria, estando desvinculado das circunstâncias do tempo presente.
II - Enquanto a História se ocupa do estudo dos atos humanos ao longo do tempo, a Geografia volta-se para a análise atemporal do espaço, desvinculando-o das ações empreendidas pelas sociedades.
III - Mesmo que se volte para o estudo de um passado longínquo, o historiador não está livre de condicionamentos diversos ao investigar e escrever sobre o tema escolhido.
IV - Já que o passado não pode retornar, nem ser revivido, a História não pode ser reescrita.

06. “O passado é [...] uma dimensão permanente da consciência humana, um componente inevitável das instituições, valores e outros padrões da sociedade humana”. (HOBSBAWM, Eric. Sobre a História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. In: MOTA, Myriam Beco e BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao Terceiro Milênio. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2002, p. 14).
De acordo com o texto, é correto afirmar:
a) A consciência do passado impede a reflexão sobre o futuro como um tempo em aberto.
b) O modo de vida de uma coletividade independe do passado como dimensão temporal e cultural.
c) A importância dada ao passado interfere nas relações da sociedade com o tempo presente.
d) O sentido atribuído socialmente ao passado inviabiliza a modernização de costumes e tradições.
e) A continuidade do passado no presente impossibilita a compreensão da contemporaneidade.

07. Na chamada Operação Histórica, isto é, na produção do Conhecimento Histórico, os historiadores trabalham com alguns conceitos básicos no exame dos documentos sobre as experiências vividas pelas sociedades e os grupos sociais.  Entre tais conceitos, pode-se citar: História, Tempo, Fonte Histórica e Agente Histórico.
Sobre esses conceitos históricos, é correto afirmar:
a) O estudo das temporalidades históricas significa o registro e a compreensão de mudanças e permanências nas trajetórias das sociedades e dos grupos sociais.
b) A História-conhecimento estuda os processos histórico-sociais objetivamente deduzidos das fontes históricas, sem a interferência do historiador no conteúdo de tais fontes.
c) A História-conhecimento, por abordar os processos histórico-sociais, tem como objeto de estudo a dimensão temporal, portanto, o tempo cronológico, descartando outros conceitos de tempo.
d) O uso de indícios ou provas documentais pelo historiador configura a História-conhecimento como uma narrativa baseada apenas em fontes oficiais, que dão credibilidade à pesquisa histórica.
e) Os agentes históricos, para o historiador, são pessoas ou grupos sociais que realizaram ações relevantes em suas respectivas sociedades, portanto, suas elites dirigentes.


[1] - É preciso esclarecer que ao nos referirmos ao termo cultura não temos em mente apenas a ideia limitadora de que a cultura traduz-se como patrimônio artístico e cientifico de um povo. Ao contrário, enfatizamos a cultura enquanto realização humana que está inserida no tempo e no espaço. A cultura se traduz, portanto, através das realizações materiais e imateriais dos homens organizados em sociedade.
[2] - JAGUARIBE, Hélio. Estudo crítico da História I. São Paulo, PAZ E TERRA, 2001, p. 31.
[3] - JAGUARIBE, Hélio. Op. Cit.pp. 31-32.

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