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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Diversidade Sexual. Artigo.

Por Rildo Véras Martins
“Uma das melhores maneiras de dar um sentido à vida... é procurar deixar o mundo um pouco melhor do que nós o encontramos” (Sol Gordon)

Falar em diversidade sexual é primeiramente repensar novos paradigmas culturais, uma vez que temos impregnado em nosso ser valores que nossos pais receberam de seus antepassados e nos repassaram. Neste valores o diferente sempre foi visto com maus olhos, como errado, pois não fomos educados para respeitar as diferenças mas sim para sermos padronizados, para seguirmos a heteronormatividade.
A sexualidade faz parte da vida das pessoas desde que o mundo é mundo. Hoje as formas de expressão da diversidade sexual é que são novas, a exemplo das PARADAS DA DIVERSIDADE SEXUAL que a cada nova edição aglutinam mais adeptos.
A realidade social tem mudado de modo que o Movimento Homossexual veio nesses anos todos conquistando espaço, mostrando a cara e dizendo: “Nós temos direito de ser diferentes e de expressar essa diferença. Nós merecemos ser respeitados porque ninguém é obrigado a aceitar o jeito de ser do outro, mas temos que ter um mínimo de respeito pelo/a outro/a”.
Há quatro décadas a legalização do divórcio gerava polêmica tão forte quanto o debate contemporâneo sobre a garantia de plenos direitos para lésbicas, gays, travestis e transexuais (LGBT).
Hoje não há mais como negar nem camuflar a existência de um novo modelo familiar composto por dois homens ou duas mulheres e a lei precisa estar aberta para as novas formas de constituição familiar.
Mesmo sem amparo legal é cada vez maior o número de homossexuais que vêm conseguindo na justiça a equiparação de seus direitos aos dos héteros. Mas as vitórias na justiça não podem ser confundidas com direitos iguais porque essas conquistas foram a duras penas, não foram dadas automaticamente (como os héteros têm) mas foram frutos de batalhas constantes: na justiça, nas escolas, nos bairros, na família.
Em tese os homossexuais que constituem uma família pagam mais impostos, porque, por exemplo, não podem fazer a declaração do imposto de renda em conjunto nem deduzir dela os gastos com dependentes e recebem menos benefícios, pois também não podem incluir o/a parceiro/a no plano de saúde.
É difícil afirmar com precisão a porcentagem da população brasileira que é favorável ou não à união civil entre pessoas do mesmo sexo por falta de pesquisas específicas. Alguns levantamentos de opinião nos fazem crer que a homofobia ainda é muito forte – e a realidade não diz o contrário – na sociedade brasileira.
Em 1998, uma pesquisa do Ibope afirmava que 60% dos entrevistados não contratariam um homossexual. No início deste ano, outra pesquisa, da Unesco, mostrou dados preocupantes dos quais podemos destacar que 25% dos estudantes brasileiros não gostariam de ter um colega homossexual.
Um panorama mundial sugere que a homossexualidade ainda é ilegal em 74 países, 53 dos quais são ex-comunistas, ex-colônias britânicas ou de cultura predominantemente islâmica. Em 56 países existem movimentos gays, mas só em 11 deles a população é favorável a direitos iguais para todos. Em apenas 7 países o governo protege os homossexuais contra a discriminação.
E para entendermos quais são os valores morais que fundamentam essa rejeição é preciso centrar o olhar sobre a mais comum de suas origens: a RELIGIÃO. Todas as grandes religiões monoteístas (Islamismo, Judaísmo, Cristianismo) rejeitam a prática homossexual, ou seja, condenam o pecado e não o pecador. O que não conseguem deixar claro é como dissociar um do outro.
*Sociólogo, atualmente ocupando a Assessoria Especial para Diversidade Sexual do Governo do Estado de Pernambuco.

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