Pesquisa no blog

Carregando...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Continuando a discussão sobre Ética...

Segue abaixo a transcrição de uma palestra proferida a profissionais da área de Sérviço soc ial Sobre o Tema ÉTICA. Considerando que os valores éticos, no meu entender, são universais, acredito que esta é uma bõa oportundade para extendermos esse debate ao nosso meio, de professores e alunos.

Bõa Leitura!!!

Textos para reflexão é uma publicação on-line do Departamento de Serviço Social e Colegiado de Curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa, sem periodicidade regular, destinados a socializar discussões e reflexões realizadas em salas de aula, palestras, cursos, projetos de pesquisa e extensão entre outros espaços. Os textos são divulgados a pedido do Corpo Docente do Curso de Serviço Social. Os textos, incluindo opiniões e conceitos emitidos, são de responsabilidade exclusiva de seus autores.

É livre a reprodução não comercial, desde que citada a fonte.

Coordenação “Textos para reflexão”

Gisele Alves de Sá Quimelli

Lenir Aparecida Mainardes da Silva

Édina Schimanski

ÉTICA PROFISSIONAL*

Edite Jendreick Franke1 (Palestra proferida pela Professora Mestre Edite Jendreieck Franke na III Jornada de Estágio do Curso de Serviço Social da UEPG em 25/09/2007).

Bom dia a todos e a todas, minhas amigas professoras do Curso de Serviço Social, acadêmicos aqui presentes.

Quero agradecer ao Departamento de Serviço Social a oportunidade de aqui estar para, com vocês, refletir um pouco sobre ética profissional. No momento em que se diz que o Brasil está passando por uma crise ética, oportuno se faz falar sobre a Ética Profissional.

Necessário se faz lembrar que, quem não tem ética pessoal, não terá ética profissional.

A palavra Ética, do grego ethos, designa . . .

Os costumes;

A condução da vida;

As regras de comportamento.

A Ética é o estudo da moralidade do agir humano;

É o estudo da bondade ou da maldade dos atos humanos,

A retidão dos atos humanos frente à ordem moral.

É justificada pela Moral enquanto esta estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o bem viver, um agir segundo o bem, remetendo estas regras ao agir humano, aos comportamentos cotidianos, às escolhas existenciais. . .

. . .a Ética se coloca como um questionamento sobre o agir, uma reflexão sobre o que é preciso fazer, uma procura pelo que é bom ou justo.

A Ética não estabelece regras, mas propõe uma reflexão sobre a ação humana, sobre sua retidão frente à ordem moral.

A Ética espontaneamente gera:

1- Questionamentos: a ética nos leva a refletir sobre as normas ou regras de comportamento, nos leva a analisar princípios, valores que fundamentam nossa obrigação na sociedade.

2- Sistematização da reflexão: encontrada em teorias ou escolas que tratam da moral e da ética, ou o conjunto de normas de grupos específicos, como é o caso dos códigos de ética profissional.

3- Prática concreta: ou a realização de valores que exige o processo de deliberação, a decisão, a atitude subjacente e a ação propriamente dita. Toda herança da reflexão sobre a Ética e a Moral se apresenta subjacente à Ética Profissional. Isto é, a Ética Profissional só se efetivará se houver a Ética Pessoal.

Importante identificarmos, refletirmos aqui: quem é o Sujeito Ético?

Sujeito Ético é todo ser humano que se depara com a necessidade de decidir, pois onde há decisões a serem tomadas; reflexões a serem feitas; e liberdades a serem alcançadas. . . Há a Ética.

A Ética não existe sem a responsabilidade.

Uma Ética de Responsabilidade é a do sujeito livre, autônomo, que reflete, dotado de prudência, coragem e convicção. A responsabilidade dá cada vez mais lugar à interrogação e à discussão democrática.

Assim, cada vez mais a Ética recorre à prudência, que é vigilância e previsão, e à solidariedade. A Ética profissional pode ser definida como:

A reflexão sobre as exigências do profissional em sua relação -

com o cliente/usuário;

com o público;

com seus colegas;

e com sua corporação,

com os demais profissionais.(Durand, p 85)

Estas exigências remetem ao conjunto de direitos e de obrigações expressos no Código de Ética da profissão.

A reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão,

. . . no que consistem,. . .

. . . a quem se destinam,. . .

. . . para que se destinam. . .

deve iniciar antes da prática profissional .

A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas vezes, já deve ser permeada por esta reflexão.

A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres Profissionais passa a ser obrigatório. Geralmente, quando se é jovem, escolhe-se a carreira sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes a assumir ao tornar-se parte daquela categoria que escolheu.

Toda a fase de formação profissional. . .o aprendizado das competências e habilidades referentes à prática específica numa determinada área, deve incluir a reflexão, desde antes do início dos estágios práticos.

Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa.

Isto caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional, Seja, esta adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício.

No período de formação e mesmo depois no decorrer da prática, o profissional deve estar sempre se perguntando:

1- Que deveres assumi? O que a entidade, a chefia, e o usuário esperam de mim?

Estes deveres são compatíveis com a profissão?

Ou é a chamada exigência generalista do mercado?

2- Estou assumindo uma função institucional ou a profissão mesma?

3- Como estou conduzindo os deveres assumidos? Como estou cumprindo minhas responsabilidades? Estou me conduzindo nos valores previstos pelo Código de Ética da Profissão?

4- O que devo fazer e como fazer? Planejo, organizo, sistematizo, avalio minhas ações?

Que resultados produzo? Em benefício de quem?

5- E tão importante quanto os aspectos acima: Estou sendo bom profissional? Competente, coerente? Estou agindo adequadamente nas relações pessoais e profissionais?

Isto inclui:

- respeitar e exigir respeito.

- atitudes de generosidade e cooperação, trabalho em equipe.

- uma postura pró-ativa (que é compromisso/ é contribuir para o engrandecimento do trabalho).

- estar preocupado, com as PESSOAS, que é ser coerente com os deveres profissionais.

Acredito na profissão a qual defendi durante toda minha vida de prática profissional e como docente. Sempre busquei apresentar o quanto é importante e bom SER PROFESSOR, como se faz necessário o esmerado preparo profissional e o compromisso com a realidade alvo de nossa intervenção. O trabalho profissional não permite acomodação e o profissional comprometido não se acomoda. Só se acomoda e arrisca virar fóssil aquele que não tem amor por sí mesmo e pelo próximo (alteração do responsável por este blog).

O Serviço Social é uma profissão que tem sua legitimidade regulamentada em Lei e fundamentada em seu Código de Ética, e este defende a equidade e a justiça social. O processo de renovação pelo qual o Serviço Social tem passado no transcorrer de sua história vem compromissado com esses valores e princípios que são defendidos por seus profissionais na conquista de direitos sociais, na defesa dos direitos já alcançados e na ampliação destes. Apegados a estes valores não poderemos deixar de ser Éticos. Ser Assistente Social é fazer Serviço Social.

A identidade profissional é construída pelos grupos profissionais de que fazemos parte. Como o grupo existe? Passa a existir através das relações que estabelecem seus membros entre sí e com o meio em que vivem, isto é, pela sua prática, seu agir, seu trabalhar, fazer, pensar, sentir. . .

O indivíduo (assistente social) vai sendo representado previamente na graduação e vai assimilando em um processo interno a representação desta identidade.

Esta identidade pressupõe o fazer, as práticas de serviço social que realiza, mas é a aceitação da identidade que força comportamentos, ações compatíveis com a profissão. É a aceitação que leva o assumir a postura ética exigida pela profissão.

Por isto a identidade precisa ser continuamente reposta, que significa “agir como”. Comparecer perante o outro como portador de um papel, mas como representante de sí e de um grupo profissional.

Ser assistente social ético exige: Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que lhe é depositada... pois o comportamento ético de um profissional reflete em todos os demais da profissão. Vale lembrar que comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são indissociáveis! Empregabilidade é sinônimo de bom profissional. E só pode ser ético profissionalmente aquele que o é pessoalmente.

Lembro aqui a passagem de Lucas, que em seu Capítulo 16 traz a palavra de

Jesus: “ Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto

nas pequenas, também é injusto nas grandes”. (Lucas 16, 10).

Obrigada, e vamos em frente pela Ética agora e sempre!

Referências:

GLOCK, Rosana Soibelmann e GOLDIM, José Roberto. Ética Profissional é compromisso social, texto trabalhado na Disciplina Ética Profissional, Professor Carlos Eduardo Coradassi, Curso de Medicina Veterinária, CESCAGE.

DURAND, Guy. Introdução Geral à Bioética, Edições Loyola, São Paulo, 2003.

CIAMPA, Antonio da Costa. IDENTIDADE, in Lane, org., Psicologia Social – o homem em movimento, Brasiliense, São Paulo, 10º Ed., 1992.

GENTILLI, Raquel de Matos Lopes. Representações e Práticas: identidade e processo de trabalho no serviço social, São Paulo, Veras, 1998.

Nenhum comentário:

Postar um comentário